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DESIGUALDADE DE GÊNERO

A marginalização da mulher na política indiana

Apesar de muitas histórias de sucesso de mulheres na política do subcontinente indiano, ainda existe uma grande desigualdade de gênero

A marginalização da mulher na política indiana
Apesar do destaque na política e um progresso constante na luta pelos direitos das mulheres, ainda há uma diferença marcante de gênero (Foto: Wikimedia)

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No subcontinente indiano, mais do que em outras regiões do mundo, algumas mulheres atingiram a posição máxima na carreira política. Indira Gandhi na Índia, Benazir Bhutto no Paquistão e Aung San Suu Kyi em Mianmar são nomes famosos.

Menos conhecido é o fato de Sri Lanka ter sido o primeiro país a eleger uma mulher primeiro-ministro, ou que teve uma presidente do sexo feminino. Durante 22 dos últimos 25 anos, Bangladesh, um país em grande parte muçulmano com mais habitantes do que a França e a Alemanha juntas, foi chefiado por uma mulher.

No entanto, apesar do destaque das mulheres na política e um progresso constante na luta pelos direitos das mulheres, como a erradicação do infanticídio feminino e o acesso mais amplo à educação, as estatísticas ainda mostram uma diferença marcante de gênero.

A proporção de 27% das mulheres indianas que trabalham, por exemplo, é inferior à metade do percentual da China, do Brasil e também do vizinho Bangladesh, embora seja ligeiramente superior ao do Paquistão.

Apenas 10% dos 700 juízes dos tribunais superiores da Índia são mulheres, e só 17% dos 5 mil funcionários do Serviço Administrativo Indiano (IAS), o corpo de burocratas de elite que administra o país, pertencem ao sexo feminino.

A presença das mulheres na política também não é expressiva. Na Câmara dos Deputados da Índia, apenas 12% dos parlamentares são mulheres. As legislaturas estaduais também têm uma participação maior de homens. A proporção de parlamentares do sexo feminino aumentou, mas pouco. Há 50 anos, a Câmara de Deputados só tinha 6% de parlamentares mulheres.

A relativa marginalização do sexo feminino na vida pública e política indiana revela uma das causas do lento progresso de igualdade sexual. Os políticos indianos em geral preferem atender a subgrupos definidos por casta, religião, etnia, linguagem ou queixas locais, em vez de categorias mais amplas, como as mulheres.

O mesmo acontece com líderes regionais em regimes menos democráticos. Há pouco tempo, o autocrático primeiro-ministro de Bangladesh, xeque Hasina, diminuiu a idade legal de permissão de casamento de 18 para 16 anos. Como o casamento infantil é comum, sobretudo na região rural mais pobre, os ativistas que lutam pela igualdade de direitos das mulheres mais uma vez viram seus esforços frustrados.

Fontes:
The Economist-Women in South Asian politics have not empowered women

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2 Opiniões

  1. Élcio disse:

    A matéria é interessante, porém, devemos lembrar que o Brasil tem uma das taxas mais baixas do mundo de presença de mulheres do Congresso Nacional. Dados divulgados pela União Inter-Parlamentar indicam que de um total de 190 países, o Brasil ocupa apenas a 116ª posição no ranking de representação feminina no Legislativo. Com apenas 9% de representantes femininas.

  2. Natanael Ferraz disse:

    Em todas as atividades, no mundo inteiro, as mulheres estão representadas. Penso que se as mulheres não fazem isso ou aquilo, é porque, de fato, elas não querem e devem ter achado coisa melhor para fazer.

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