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A massificação do ensino superior

Ritmo de crescimento das matrículas universitárias é superior à demanda de um bem de consumo por excelência: o automóvel

A massificação do ensino superior
A massificação do ensino superior é uma tendência na maioria dos países (Fonte: Reprodução/Jon Berkeley/The Economist)

O valor que os Estados Unidos dão ao ensino superior desde o início da colonização criou o melhor sistema universitário do mundo. Não surpreende, portanto, que outros países imitem seu modelo, possibilitando que um número cada vez maior de jovens tenha acesso à universidade. Mas, à medida que o sistema americano se dissemina, cresce o questionamento se vale a pena investir tanto dinheiro no ensino universitário.

A moderna instituição de pesquisa, inspirada no modelo de ensino de Oxford e Cambridge, e de um instituto alemão de pesquisa, foi criada nos EUA e se tornou um exemplo a ser seguido no mundo inteiro. A massificação do ensino superior teve início nos EUA no século XIX, difundiu-se na Europa e no Leste Asiático no século XX e, agora, com a exceção da África Subsaariana, é uma tendência na maioria dos países.

A taxa mundial de matrículas da população em idade escolar em universidades aumentou de 14% para 32% no período de 20 anos em 2012; nesse mesmo período o número de países com taxas de matrícula superiores a 50% aumentou de cinco para 54. O ritmo de crescimento das matrículas universitárias é superior à demanda de um bem de consumo por excelência: o automóvel. A necessidade quase compulsiva de ter um diploma é compreensível em um mundo onde os diplomas universitários são um requisito para conseguir um bom emprego, além de serem uma senha de acesso à classe média.

De certo modo, esse investimento maciço no ensino superior tem tido ótimos resultados. As melhores universidades são responsáveis por muitas das descobertas que transformaram o mundo em um lugar mais seguro, mais rico e interessante. Mas os custos estão aumentando. Os países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) gastam 1,6% do PIB em educação superior, em comparação com o percentual de 1,3% no ano 2000. Se o modelo americano continuar a ser adotado em outros países, esse percentual irá aumentar. Hoje, os Estados Unidos gastam 2,7% do PIB em investimentos nas instituições universitárias.

O retorno do investimento no campo da pesquisa tem sido recompensador. Em 2014, 19 das 20 universidades do mundo inteiro que produziram os artigos científicos mais citados eram americanas. No entanto, na área de ensino os resultados não são tão promissores. Os americanos recém-formados têm avaliações internacionais medíocres em matemática, leitura e escrita, e a posição do país está em declínio. Em um estudo recente sobre desempenho acadêmico, constatou-se que 45% dos alunos universitários nos EUA não haviam adquirido um conhecimento significativo nos dois primeiros anos de faculdade. Por outro lado, o valor das mensalidades escolares quase dobrou em termos reais nos últimos 20 anos. A dívida do crédito estudantil de cerca de US$ 1,2 trilhão é superior à dívida dos americanos em cartões de crédito e financiamento para a compra de automóveis.

Fontes:
The Economist - Universities: The world is going to university

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