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Síria

A morte de um país

A desintegração da Síria ameaça todo o Oriente Médio. O resto do mundo precisa agir antes que seja tarde demais

A morte de um país
Se o descaso pela guerra da Síria persistir, milhões de vidas serão arruinadas (Reprodução/Economist)

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Após a Primeira Guerra Mundial, a Síria foi concebida a partir da carcaça do império otomano. Após a Segunda, conquistou sua independência. É possível que o país deixe de funcionar após a guerra que atualmente o está destruindo.

Enquanto o mundo observa (ou faz vista grossa), o país imprensado entre Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Israel está se desintegrando. Talvez o regime de Bashar Assad, presidente da Síria, dê lugar ao caos; ainda que seja possível lutar a partir de um enclave fortificado, uma vez que esta é a maior milícia em uma terra de milícias. De qualquer modo, parece cada vez mais provável que o país será presa para senhores de guerra, islâmicos e gangues envolvidas em conflitos internos – uma nova Somália que fermenta no coração do Levante.

Caso isso aconteça, milhões de vidas serão arruinadas. Uma Síria fragmentada também alimentaria a jihad global e estimularia as violentas rivalidades do Oriente Médio. As armas químicas de Assad, ainda seguras porora, sempre correrão o risco de cair nas mãos erradas. Essa catástrofe seria sentida por todo o Oriente Médio e além. Mas ainda assim o resto do mundo, os EUA inclusive, não está fazendo nada para ajudar.

O sangue sírio agora é derramado em abundância e o ódio sectário está borbulhando. A luta pode durar por anos. Grupos rebeldes têm capturadobases militares recentemente. Mas os rebeldes são tanto rivais quanto aliados: eles estão começando a se atacarem entre si, bem como as tropas do governo.Cerca de um quinto dos rebeldes – e alguns dos mais bem organizados – são jihadistas.

Até agora o combate tirou a vida de 70.000 ou mais pessoas e mais dezenas de milhares estão desaparecidas. O regime encarcerou entre 150.000 e 200.000 pessoas. Mais de 2 milhões de pessoas estão sem teto na Síria e têmdificuldade para encontrar comida e abrigo. Cerca de outro milhão de pessoas vive em condição de carestia além das fronteiras.

Fontes:
The Economist-The death of a country

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2 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Voltando ao passado, quando o conflito começou, a Rússia bloqueou toda e qualquer censura ao governo de Assad. Sem respaldo legal, a ONU saiu de cena e a OTAN não foi capaz de repetir o mesmo que fez na Líbia. O resultado não poderia ser outro: a destruição progressiva do país e a divisão em grupos guerrilheiros cada vez mais numerosos e que nunca mais aceitarão depor as armas a não ser na derrota militar na continuação da revolução. Percebe-se que na Síria (e também na Líbia em menor proporção) a revolução continuará depois da deposição de Assad. Agora que o leite foi derramado não existe mais a esperança de uma Síria pacificada sob uma ordem democrática no curto prazo. Primeiro será preciso derrubar Assad. Depois os jihadistas, mais tarde…. e ainda depois….. Ou seja, o que vamos assistir é uma espécie de revolução que vai ter um futuro fratricida sem que ninguém possa deter seu destino. Neste momento, o Ocidente tem que identificar quais são as forças democráticas e fortalecer laços e apoios a estes grupos, para que tudo não termine em uma nova ditadura de longuíssima duração.

  2. Sandro disse:

    Militar no poder. Pode vir alguma coisa sadia disso?

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