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A morte e o julgamento de lados opostos da guerra

Editorial do 'New York Times' comenta as escolhas de Nicholas Winton e Oskar Gröning, que assumiram papéis opostos durante a Segunda Guerra Mundial

A morte e o julgamento de lados opostos da guerra
Nicholas Winton, um pacifista inglês, que ajudou 669 crianças a escaparem da máquina de extermínio nazista na Tchecoslováquia (Foto: Wikimedia)

Na última semana, as vidas de dois homens em lados opostos na Segunda Guerra Mundial se cruzaram em um lembrete vívido de como os terríveis eventos do Holocausto estão inevitavelmente desaparecendo na história. Nicholas Winton tomou medidas extraordinárias para salvar vidas inocentes, enquanto Oskar Gröning foi encarregado da contabilidade do dinheiro roubado de judeus antes de serem assassinados em massa.

Obituários marcaram a morte de Winton, um pacifista inglês de 106 anos, que permaneceu quieto por meio século sobre seus esforços de ajudar 669 crianças a escaparem da máquina de extermínio nazista na Tchecoslováquia. Em um grande contraste, em um dos últimos julgamentos de crimes de guerra da Alemanha, Gröning, um antigo soldado da SS de 94 anos, que trabalhou no campo de Auschwitz, admitiu sua “culpa moral” como funcionário de escritório no assassinato de 300 mil pessoas, em sua maioria, judeus húngaros.

Julgamento de Gröning

Apesar de frágil, Gröning está muito consciente, e disse que não podia pedir desculpas às vítimas e aos sobreviventes, devido à enormidade dos crimes do Holocausto. “Eu só posso pedir o perdão ao Senhor”, disse ele. Isso acrescentou uma nota de perplexidade à longa busca de justiça pelos sobreviventes de Auschwitz, que testemunharam no julgamento sobre o campo de extermínio, onde mais de um milhão de pessoas inocentes foram para as câmaras de gás.

“Você foi autorizado em sua liberdade a envelhecer”, disse um sobrevivente que testemunhou no julgamento. “Meus pais não foram autorizados a isso.” Outro disse que Gröning era uma “pequena engrenagem” do maquinário da morte: “Qualquer pessoa que usasse o uniforme naquele lugar representava terror e as profundezas em que a humanidade pode se afundar, independentemente de qual função ele realizasse”. “Eu me sinto enojado comigo mesmo porque eu sinto pena dele”, disse um terceiro.

Dos 6.500 membros da SS que dirigiam o maquinário de extermínio de Auschwitz, apenas 49 foram condenados por crimes de guerra. Caso seja condenado, Gröning vai enfrentar de três a 15 anos de prisão.

Crimes, culpa e perdão

Winton deixou alguns comentários para refletir sobre crimes, culpa e perdão. Em “Por que as pessoas fazem coisas diferentes?”, ele falou sobre sua própria escolha de salvar vidas. “Algumas pessoas se divertem em assumir riscos, e alguns passam a vida sem assumir risco algum.” Há agora seis mil descendentes das 669 crianças para quem ele escolheu assumir um risco.

 

Fontes:
The New York Times-The Hero and the Nazi

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