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Refugiados

A mudança de atitude dos EUA em relação à imigração

Os Estados Unidos deviam resgatar a tradição americana de apoio e proteção aos refugiados e aos perseguidos por razões políticas, étnicas ou sociais

A mudança de atitude dos EUA em relação à imigração
Na atual crise dos refugiados os EUA têm se esquivado de assumir uma participação mais ativa (Fonte: Reprodução/The Economist/Getty Images)

Durante grande parte de sua história, os Estados Unidos foram generosos ao acolher refugiados e vítimas de perseguição, de violência e da intolerância. Depois da Segunda Guerra Mundial o país acolheu mais de 650 mil europeus em busca de um futuro melhor. Após a queda de Saigon, em 1975, os EUA receberam milhares de refugiados indochineses. Desde a promulgação do Refugee Act, em 1980, os EUA abriram as portas à emigração de 3 milhões de refugiados, mais do que qualquer outro país. Os EUA também são o maior colaborador do Programa Mundial de Alimentos da ONU e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

No entanto, na atual crise dos refugiados os Estados Unidos têm se esquivado de assumir uma participação mais ativa. Nos últimos anos o país só recebeu em média pouco menos de 70 mil refugiados por ano (refugiados que pedem asilo em outros países e requerentes de asilo assim que chegam aos EUA). O número de pedidos de asilo aprovados tende a ser menos da metade desse número. É uma quantidade insignificante em comparação com os 1,5 milhão de requerentes de asilo, muitos deles sírios, que a Alemanha pretende receber este ano.

Há pouco tempo, a Casa Branca prometeu aumentar o número de refugiados que poderiam ser recebidos pelos EUA para 85 mil no próximo ano fiscal (com a cota de 10 mil para sírios) e para 100 mil no ano seguinte. Mas mesmo esse pequeno aumento foi contestado: o deputado republicano Michael McCaul, do Texas, que preside o Comitê de Segurança Interna, apresentou um projeto de lei para “controlar” os planos do governo de acolher mais refugiados sírios.

Dois fatores são responsáveis pela mudança da atitude dos EUA em relação à imigração. Os refugiados e os requerentes de asilo tornaram-se alvos de uma briga partidária no Congresso no que se refere à imigração. E depois dos atentados terroristas de 11 de setembro os refugiados passaram a ser vistos não mais como pessoas vulneráveis e sim como ameaças, o que, por sua vez, teve um efeito extremamente prejudicial nos órgãos burocráticos que processam os pedidos de asilo.

Em teoria, como signatário da Convenção da Organização das Nações Unidas em 1951, os Estados Unidos têm a obrigação legal de proteger os refugiados. Na prática, os americanos não estão dispostos a aceitar as consequências imprevisíveis desse compromisso e, por esse motivo, os refugiados e os requerentes de asilo são massacrados por um excesso de procedimentos burocráticos, como uma tentativa de o governo federal limitar o número de aprovações.

“Os Estados Unidos têm uma história de abertura à imigração e à proteção aos refugiados, pessoas que contribuíram para o DNA do nosso país”, disse Richard Haass, diretor do Council on Foreign Relations, uma entidade especializada em política externa dos EUA e em política internacional, com sede em Nova York. Segundo Haass, existe interesse por parte dos EUA em ajudar a Alemanha, um dos seus principais aliados, que recebe todos os dias um número interminável de refugiados. Infelizmente, a maioria dos candidatos à presidência não concorda com essa posição do governo.

Fontes:
The Economist - Refugees in America: Yearning to breathe free

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2 Opiniões

  1. neyjos disse:

    A tradição Americana de acolher refugiados mistura-se com o nascimento das treze colonias, quando os europeus protestantes fugiram da inquisição do vaticano.

  2. fernando disse:

    desta vez concordo com os americanos islamicos não se adaptão ao padrão socio economico do ocidente

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