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A ópera Tristão e Isolda e sua arrepiante melodia

A magia da ópera Tristão e Isolda de Wagner originou-se, por incrível que pareça, de uma polêmica musical

A ópera Tristão e Isolda e sua arrepiante melodia
Em geral, na música clássica, o movimento melódico evolui de uma dissonância para a consonância (Reprodução/AKG)

“A música mais erótica jamais composta.” Esse foi o comentário de um crítico a respeito da melodia da ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner, que em 2015 comemora 150 anos de sua primeira apresentação. A obra provocou uma polêmica na época. Muitos críticos do século XIX a acharam medíocre; outros a ridicularizaram. Mas o impacto extraordinário da ópera Tristão e Isolda influenciou a música atonal, que teve sua expressão máxima em obras de compositores como Arnold Schoenberg. Hoje, é a ópera mais famosa do mais célebre compositor alemão. Então, por que tanta polêmica?

A ópera relata a história de Tristão e Isolda, que se apaixonaram perdidamente depois de beberem uma poção mágica. O tema é banal, mas a música é sublime. A magia começa com o prelúdio, uma introdução musical de dez minutos, que estrutura o resto da obra. Os acordes iniciais, que os melômanos chamam de “acordes de Tristão”, chocaram os espectadores do século XIX ao ouvirem a obra pela primeira vez.

Em geral, na música clássica, o movimento melódico evolui de uma dissonância para a consonância; a tensão funde-se em uma resolução. Mas os acordes iniciais de Tristão e a música seguinte não seguem essa convenção. Eles sugerem uma música em Lá menor, mas surpreendentemente surgem os acordes dissonantes, que apesar de não serem desagradáveis, não são melodiosos. No final do prelúdio, o ouvinte insatisfeito quer algo mais.

O prelúdio define o tom do resto da ópera. A música ocidental composta antes de Tristão e Isolda tinha uma estrutura melódica rígida. Os compositores do período clássico do final do século VIII, como Haydn e Mozart, com frequência optaram em dividir a pauta musical em partes iguais, separadas por quatro a oito barras de compasso, com um início e fim (a abertura da primeira sonata para piano de Beethoven é um excelente exemplo desse tipo de estrutura musical). São em geral sons melodiosos, com uma harmonia agradável aos ouvidos dos melômanos. Mas isso não acontece em Tristão e Isolda. As melodias fluem em dezenas de compassos; e cantalorar a música é quase impossível.

Fontes:
The Economist-A spine-tingling and blissful infinity

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