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Marketing na política

A origem da propaganda política destrutiva

Empresa de consultoria americana fundada em 1933 transformou a política em um negócio

A origem da propaganda política destrutiva
PT mostrou-se disposto a tudo para ganhar a eleição (Foto: Flickr)

Nenhum desenvolvimento alterou o funcionamento da democracia no último século tanto quanto a consultoria política. Como mostra um artigo da revista New Yorker da edição de setembro de 2012 – The Lie factory: how politics became a business–, a primeira empresa do ramo, Campaigns, Inc., foi fundada pelos jornalistas Clem Whitaker e Leone Baxter na Califórnia, em 1933. Eles transformaram a política em um negócio e foram os primeiros a usar a propaganda destrutiva em campanhas. A partir de então, consultores políticos passaram a substituir chefes de partido como os detentores do poder político concedido não por votos, mas por dinheiro.

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Consultoria política é muitas vezes vista como um ramo da publicidade, mas a verdade é que a publicidade começou como uma forma de consultoria política. De acordo com o cientista político Stanley Kelley, quando a publicidade moderna começou, os grandes clientes estavam tão interessados em avançar uma agenda política quanto aumentar as vendas de seus produtos.

Monopólios, como a Standard Oil e a DuPont tinham uma péssima reputação: eram vistos como gananciosos e cruéis e, no caso da DuPont, uma empresa que fabrica munições, sinistros. Eles, portanto, contrataram empresas de publicidade para vender ao público uma ideia melhor de si mesmas, e, não por acaso, avançar uma legislação pró-negócios no Legislativo.

A ideia de que cada eleitor é um consumidor nasceu na Campaigns Inc. Hoje, a gestão política é um setor diversificado e multibilionário, composto de gestores, redatores de discursos, pesquisadores e anunciantes que desempenham um papel em todos os aspectos de uma campanha. As campanhas de hoje nunca terminam, e os consultores não só executam campanhas, mas eles também governam. O ex-candidato à presidência pelo Partido Republicano, Mitt Romney, questionado pelo conselho editorial do Wall Street Journal como ele iria escolher seu gabinete caso fosse eleito, disse que ele provavelmente perguntaria ao seu marqueteiro.

A prática, claro, foi exportada para o resto do mundo. Nas eleições do ano passado no Brasil, os marqueteiros do PT mostraram que aprenderam direitinho as regras do jogo sujo, fazendo uso eficiente do medo da volta ao passado se a sua candidata não fosse reeleita.

A propaganda do PT estava disposta a tudo para ganhar a eleição, mesmo que, uma vez eleita, Dilma tivesse que desmascarar o estelionato eleitoral, desmentindo toda a propaganda enganosa vendida em campanha.

Fontes:
Blog do Mansueto - Marketing político e lobby: ajuda ou atrapalha a política?
The New Yorker - The Lie Factory

1 Opinião

  1. Vitafer disse:

    E a propaganda enganosa deu no que deu…

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