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Troféus de Caça

A polêmica do transporte de animais abatidos em caçadas na África

A South African Airways proibiu o transporte de troféus de caça, sobretudo, de rinocerontes, elefantes, leões e tigres em seus aviões

A polêmica do transporte de animais abatidos em caçadas na África
Por ano, cerca de mil leões mantidos em cativeiro são mortos a tiros por turistas (Reprodução/Pixabay)

Exemplos de empresas multinacionais que desistem de determinados negócios por motivos estritamente éticos são raros. Mesmo assim, há ocasiões em que uma prática legal tem uma imagem tão negativa para o público, que qualquer associação com essa iniciativa tem repercussões prejudiciais para a empresa. Em alguns casos é difícil ignorar os princípios morais implícitos nessas atividades. Foi o que aconteceu no mês passado, quando a South African Airways (SAA) discretamente proibiu o transporte de troféus de caça, sobretudo, de rinocerontes, elefantes, leões e tigres em seus aviões.

Matar uma maravilha do mundo animal e transportar seu corpo para outro país como se fosse um troféu pode parecer estranho para muitas pessoas. Mas a caça de animais é uma atividade econômica extremamente lucrativa. Cerca de mil leões mantidos em cativeiro são mortos a tiros por turistas em sua maioria americanos e europeus nas fazendas da África do Sul por ano. Esse número é quase o dobro da quantidade de leões selvagens mortos no continente inteiro. Matar animais presos em propriedades particulares é mais fácil do que matá-los soltos nas savanas da África. É também muito mais barato: os turistas pagam US$20,000 por um macho cativo, em comparação com US$75,000 por um animal selvagem. A expansão da atividade da “caça cercada”, que cria leões isolando as mães de seus filhotes para estimular a ovulação, aumentou a receita da caça de animais na África para US$200 milhões por ano.

Apesar de a caça ser uma atividade rentável e de ter argumentos em sua defesa, a SAA decidiu que o transporte de troféus de caça é prejudicial para a imagem da empresa. Além disso, quer evitar uma tempestade potencial de publicidade negativa. A decisão pode também ter um fundamento legal. Há pouco tempo, a SAA teve problemas quando um dos passageiros não declarou a carga de presas de elefantes ilegais; para a empresa a proibição do transporte de animais abatidos em caçadas talvez seja a única maneira de evitar a recorrência de problemas desse tipo e, assim, eliminar o trabalho desagradável de distinguir cargas legais das ilegais. De qualquer modo, a SAA merece elogios por sua iniciativa.

Fontes:
The Economist-You kill it, you carry it

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