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O perigo da energia nuclear

A pressa da China em construir usinas nucleares é perigosa

Apesar das opiniões controvertidas em relação ao crescimento da energia nuclear no resto do mundo, a China priorizou a expansão dessa fonte energética no país

A pressa da China em construir usinas nucleares é perigosa
A China precisa diminuir o ritmo acelerado de suas ambições nucleares para equilibrá-lo ao ritmo das agências reguladoras (Reprodução/Barcroft Media)

O carvão mata, sobretudo na China. Meio milhão de pessoas morrem prematuramente todos os anos devido à ingestão do ar poluído do país. O carvão, fonte de quase quatro quintos da energia elétrica na China, é o principal agente dessa poluição fatal. E como a capacidade do setor energético do país precisará dobrar em 2030 para manter o ritmo do crescimento econômico e o estilo de vida mais caro, o dano causado pelo carvão se acentuará. Nesse cenário sombrio, é compreensível que o governo queira diversificar suas fontes de energia.

Nesse sentido, a atenção do governo converge para a energia nuclear. Apesar das opiniões controvertidas em relação ao crescimento da energia nuclear no resto do mundo, a China priorizou a expansão dessa fonte energética no país. Com 29 reatores em construção, os chineses querem mais do que triplicar sua capacidade nuclear em 2020. Em 10 de dezembro, a Companhia Geral de Energia Nuclear Estatal (CGN, sigla em inglês), a maior construtora e operadora de usinas nucleares no país, emitirá novas ações na Bolsa de Valores de Hong Kong. Como o país não precisa de investidores externos para financiar suas ambições nucleares, essa emissão de novas ações da CGN é uma indicação do perfil político do setor de energia na China.

No entanto, essa pressa expansionista de aumentar o poderio nuclear é mais perigosa e menos necessária do que o governo da China admite. Uma das principais lições do acidente nuclear de Fukushima é que as regulamentações políticas sem nenhuma clareza são perigosas. O aparato governamental da China, além de ambíguo, não se subordina a instâncias reguladoras, e os objetivos ambiciosos de uma tecnologia de risco deveria ser um sinal de alerta para a comunidade mundial. No início de 2014, uma agência reguladora francesa do setor de energia nuclear, que conhece bem a situação chinesa, declarou que o governo tem uma confiança excessiva na tecnologia como, por exemplo, na pressão para ter os trens mais rápidos do mundo, sem observar as normas regulatórias, com o risco de repetir o trágico acidente com um trem de alta velocidade perto de Wenzhou, em 2011.

A China precisa diminuir o ritmo acelerado de suas ambições nucleares para equilibrá-lo ao ritmo das agências reguladoras, e construir seus reatores segundo as melhores tecnologias existentes no Ocidente.

Fontes:
The Economist-Make haste slowly

1 Opinião

  1. Aguinaldo O. Rocha Jr. disse:

    As usinas atômicas, descontada a energia elétrica solar ( a melhor de todas), está provado, aquela é também forma limpa de geração de energia. O problema é, que fatores supervenientes podem abrir a caixa de pandora. Aí,é que reside o perigo. Mas, no balanço do compasso benefício e maleficio, se a China optou pela atômica fê-lo bem porque a poluição do carvão deixará de existir.Tirante as usinas de Chernobil mais a japonesa milhares delas estão iluminando o planeta. inclusive aqui o Brasil, “ANGRA I -II e III . A China está correta; acredita-se que o cidadão chines viva o futuro com mais saúde Quantos aos perigos vivemos cercados deles… Os últimos cem anos de tecnologia resultaram mais perigo ainda. O fim inevitável da raça humana se desenha desde o fatídico pipocar de duas bombas lançadas pelo “enola gay” sobre o solo japonês no ano de 1945 princípio do fim! Faz apenas setenta anos. Que a China clareie seu meio ambiemte com a despoluição com iluminação limpa antes da pirotecnia nuclear que se aproxima…

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