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Privacidade na internet

A queda-de-braço dos serviços de inteligência e empresas de tecnologia

Os serviços de inteligência e empresas de tecnologia não têm outra opção a não ser chegar a um acordo

A queda-de-braço dos serviços de inteligência e empresas de tecnologia
As empresas americanas de tecnologia estão preocupadas com a perda de mercado, em especial no exterior (Reprodução/Alamy)

As pessoas que esquecem o passado estão condenadas a repeti-lo, como diz o ditado. Uma observação extremamente verdadeira no mundo digital. Há duas décadas a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos desenvolveu o projeto do chip Clipper, um dispositivo digital criptografado para celulares, que permitia aos agentes secretos e a polícia de escutar as transmissões telefônicas. Mas o projeto foi abandonado quando a NSA e o FBI perderam a “guerra dos dispositivos criptografados” para a coalizão poderosa de ativistas em defesa da proteção da privacidade na internet e de empresas de tecnologia.

No entanto, o conflito entre a defesa da privacidade online e a necessidade do governo de ter acesso a informações sigilosas não foi solucionado e agora o assunto voltou com uma abrangência muito maior. Em 3 de novembro Robert Hannigan, o novo diretor do serviço de inteligência britânico, acusou as redes sociais e outros serviços online de “controlarem redes de acesso a terroristas e criminosos”. No mesmo dia Michael Rogers, o atual diretor da NSA, fez uma alusão mais discreta a esse problema em um discurso no Vale do Silício.

As declarações de Hannigan e Rogers foram uma reação à tendência das empresas de tecnologia de criptografar seus produtos e serviços, com o objetivo de atrair clientes preocupados com a privacidade. Os iPhones da Apple são criptografados e só o dono tem a chave, portanto, a empresa não tem acesso aos aparelhos, mesmo se recebesse a ordem de um tribunal. Essas inovações são, em parte, resultado das revelações de Edward Snowden, um antigo agente da NSA, que expôs a vulnerabilidade do sigilo das informações da NSA e do GCHQ.
Os dois lados têm pontos fortes e fracos em suas argumentações. Os serviços de inteligência e os órgãos de administração da Justiça precisam ter acesso às comunicações em alguns casos, sobretudo na luta contra o terrorismo. Mas é bem provável que a NSA já tenha acesso, por exemplo, a WhatsApp, um serviço de mensagens muitíssimo popular.

Por sua vez, as empresas americanas de tecnologia estão preocupadas com a perda de mercado, em especial no exterior. Um número crescente de empresas estrangeiras está evitando os provedores de computação em nuvem, porque têm medo que a NSA espione o conteúdo de suas informações, arquivos e programas. Ao mesmo tempo, empresas como Google e Facebook não podem criticar os serviços de inteligências por invasão de privacidade.

Apesar da retórica inflamada de ambos os lados, existe uma possibilidade de conciliação. Em seu discurso no Vale do Silício, Michael Rogers abriu espaço para negociação. E o executivo-chefe de um gigante do setor de tecnologia disse que “Não temos outra escolha a não ser chegar a um acordo”. Mas as regras do acordo terão de ser transparentes e aplicáveis não só ao serviço de inteligência norte-americano, mas também à Austrália, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia, que assinaram junto com os Estados Unidos o Tratado de Segurança UK-USA, com a finalidade de compartilhar informações secretas.

Fontes:
The Economist-Crypto wars 2.0

1 Opinião

  1. ney disse:

    A desculpa sempre é terrorismo.

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