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Livro

A queda do Muro de Berlim

Um relato minucioso do nascimento da atual Alemanha

A queda do Muro de Berlim
Sarotte também desfaz o mito que os protestos dos alemães eram pacíficos (Reprodução/Rex Features)

Os estrangeiros pensam que “a queda do Muro de Berlim foi o marco da liberdade do povo alemão”, disse Marianne Birthler no novo livro de Mary Elise Sarotte, The Collapse: The Accidental Opening of the Berlin Wall (O colapso: a abertura acidental do Muro de Berlim). Marianne Birthler, que pesquisou durante 11 anos os crimes da Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã, discorda dessa opinião. “Ao contrário, foi a luta pela liberdade que derrubou o muro.”

A visão equivocada dos fatos e motivos que causaram a queda do Muro de Berlim despertou o interesse de Mary Elise Sarotte, professora de história da Universidade da Southern California, em escrever este livro. Muitos atribuíam esse acontecimento ao enfraquecimento e à incompetência do regime da Alemanha Oriental, agravados pela glasnot e a perestroika, que antecederam o colapso do império soviético, e dos crescentes protestos dos alemães orientais, que queriam ter a liberdade e o conforto do Ocidente.

Mas, na realidade, como descreve Mary Elise Sarotte em seu relato minucioso da natureza “acidental e contingente” da queda do muro, apesar do papel importante exercido pelo contexto mais amplo da perestroika e das atrações do Ocidente, o fator decisivo para a reunificação da Alemanha foi a atuação de contrabandistas, padres, artistas, estudantes, jornalistas, ativistas e donas de casa, que aos poucos enfraqueceram o regime.

Sarotte também desfaz o mito que os protestos dos alemães eram pacíficos. O risco de acontecer uma manifestação violenta como o massacre da praça da Paz Celestial em Pequim quatro meses antes, era uma ameaça real no início de outubro de 1989. Diante dos preparativos para uma manifestação em Leipzig, em 9 de outubro, 600 mil soldados, cerca de 3 mil policiais, além da organização paramilitar de 600 membros do Partido Comunista, armados com metralhadoras e bombas de gás lacrimogêneo, cercaram a cidade. Mais de 100 mil pessoas invadiram as ruas ao redor do centro da cidade durante algumas horas.

O livro descreve também os acontecimentos nas ruas de Berlim Oriental na noite de 9 de novembro. Em uma conferência de imprensa neste mesmo dia, Günter Schabowski, o porta-voz do comitê central, disse que, a partir de uma nova lei do governo, os alemães orientais teriam permissão de viajar. Assim que seu pronunciamento foi divulgado no rádio e na televisão, milhares de alemães orientais reuniram-se à frente do muro e exigiram que os guardas abrissem os portões.

Mary Elise Sarotte aborda um tema familiar, sobretudo para leitores alemães, mas nunca a história da queda do Muro de Berlim foi contada em inglês de uma maneira tão abrangente e incisiva.

Fontes:
The Economist-The German open

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