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A questão racial nos Estados Unidos

Quando as pessoas saíram às ruas, a maioria dos observadores não enxergou isso como uma resposta social à aparente falta de ação do Estado

A questão racial nos Estados Unidos
Nas palavras da prefeita de Baltimore, Stephanie Rawlings-Blake, os manifestantes que destruíram propriedades eram "bandidos (Reprodução/Wikimedia)

Depois do tiroteio que matou Michael Brown e da agitação subsequente em Ferguson, comentaristas notaram a ausência de representantes negros entre governantes eleitos em Ferguson e na liderança policial. Um relatório do Departamento de Justiça destacou como a maior parte da Câmara Municipal de Ferguson é branca e como seus tribunais estimulam explicitamente um policiamento racista. O debate é levantado pelo professor assistente de história N. D. B. Conolly, da Universidade Johns Hopkins, em um artigo no New York Times.

Segundo o autor, depois dessa primeira polêmica, veio a de Baltimore. Ou seja, a morte de Freddie Gray, como a de Eric Garner, John Crawford III, Rekia Boyd e tantos outros negros se encaixavam num padrão familiar: policiais brancos, suspeitos negros, corpos negros.

Caso Baltimore

Mas, diferentemente de Nova Iorque, Chicago e outras cidade com governantes brancos, Baltimore tem uma prefeita negra, um comissário de polícia negro e uma maioria negra na Câmara. No entanto, a cidade ainda tem um dos registros mais marcantes de brutalidade policial nos últimos anos.

Na ausência de uma perceptível “estrutura de poder branca”, a discussão em torno de Baltimore tem rapidamente se transformado em um debate sobre as falhas da cultura negra. Isso confunde até mesmo aqueles que simpatizam com as dificuldades do negro. Quando as pessoas saíram às ruas e destruíram propriedades, a maioria dos observadores não enxergou isso como uma resposta social compreensível à aparente falta de ação do Estado. Eles viram, nas palavras da prefeita de Baltimore, Stephanie Rawlings-Blake, “bandidos”, ou, nas palavras do presidente Obama, “criminosos e bandidos.”

A prefeita lamentou mais tarde, e tanto ela como o presidente têm tentado mostrar empatia com os mais necessitados. Mas, condenando “criminosos” e “bandidos”, isto faz com que eles se afastem do problema de crenças sobre a inferioridade dos negros.

Quando negros de influência condenam estas pessoas, eles nos impedem de questionar Baltimore a maneira que nós questionamos Ferguson, afirma o autor do artigo. Em vez disso, nós idolatramos pessoas como Toya Graham, a mãe de Baltimore que tirou seu filho dos tumultos. O comissário de polícia de Baltimore, Anthony W. Batts, a aplaudiu, e implorou para que os pais fizessem o mesmo: “assumir o controle de seus filhos”. Mas as cenas certamente mostram a violência como a melhor maneira de manter rebeldes negros sob controle. Além disso, colocando um momento de violência entre negros sob o holofote, tiramos nosso olhar das circunstâncias que criaram o evento. O problema não é a cultura negra, mas as normas e a política, as mesmas coisas que unem a história de Ferguson, Baltimore e o resto dos Estados Unidos.

Especificamente, o problema repousa sobre a lucratividade contínua do racismo. A exposição de Freddie como uma criança suspeita de participação no tráfico de drogas, e o confinamento relativo da inquietação das comunidades negras durante o motim desta semana demonstram como uma cidade e um país ainda segrega pessoas ao longo de linhas raciais. O problema tem origem em uma cultura política que há muito vincula corpos negros a questões de propriedade. A escravidão além de ter sido um sistema de trabalho era também um regime de propriedade, com os escravos não servindo apenas como trabalhadores, mas como commodities.

Ao evitar uma linguagem de falhas individuais e de cultura degenerada, líderes políticos, negros ou não, podem nos ajudar a ver a violência diária da pobreza. Mais, eles podem usar melhor o poder que tem para fazer algo sobre isso. Ao anunciar “estado de emergência” em todo o país sobre o problema da segregação, a partir da elaboração de uma estrutura tributária mais justa, por meio do investimento no espaço público, policiamento comunitário e um programa governamental de empregos, nossos líderes podem encontrar um caminho a seguir.

Fontes:
The New York Times-Black Culture Is Not the Problem

2 Opiniões

  1. Natanael Sperotto disse:

    Os negros tem que parar com essa mania de culpar os brancos pelas suas fraquezas. O grande paradoxo é que eles estão melhor nos USA do que em qualquer outro país do mundo. E não conseguem se entender nem na África. Todos os povos sofreram, eles precisam evoluir.

  2. Roberto1776 disse:

    O New York Times é a mais descarada expressão da abominável esquerda politicamente correta que assola os EUA ainda mais do que assola o Brasil.
    Essa descontrolada e esquerdista correção política professada por tantos da esquerda caviar americana certamente pavimenta o caminha para a derrocada moral deste povo tão importante para o progresso material que, mesmo aqui, nos quinto dos infernos, nós desfrutamos.
    No momento em que uma mãe negra sabe que o seu filhote de 16 anos não tem nada para participar de blocos de marginais e o leva à tapas de volta para casa, o NYT se sente na obrigação de apoiar a bagunça dos desocupados de Baltimore.
    Imagino como seria um artigo deste jornaleco sobre o MST ou sobre o futuro ministro do MST, digo STF.

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