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A Rússia e o Ocidente

A relação difícil entre a Rússia e o Ocidente

O que existe por trás da última crítica bombástica de Vladimir Putin aos Estados Unidos

A relação difícil entre a Rússia e o Ocidente
A oposição e a crítica aos Estados Unidos são os pilares da ideologia do Kremlin (Reprodução/Internet)

Quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez um discurso beligerante contra o Ocidente há 7 anos em Munique, ele estava tenso e zangado. Mas em 24 de outubro tinha uma aparência relaxada e feliz, ao fazer a pior crítica aos Estados Unidos desde que assumiu a presidência. Contou piadas e sorriu. Em geral, Putin gosta de exibir sua aspereza característica diante de jornalistas estrangeiros e especialistas do fórum de discussão Valdai, sempre surpreendendo-os com sua habilidade para distorcer os fatos e o sentido das palavras.

Em sua essência, o discurso pouco inovou. Vladimir Putin culpou os Estados Unidos pelo “despotismo unilateral” responsável pelos conflitos mundiais, e acusou o Ocidente de hipocrisia em relação à Rússia, que estava apenas “protegendo os interesses da população de língua russa na Crimeia” contra os “neofascistas”, quando anexou a península e estimulou revoltas no Oriente. A mensagem era clara: se os Estados Unidos não obedeceram às regras em Kosovo, a Rússia poderia fazer o mesmo na Ucrânia.

Putin evocou a imagem de Khrushchev ao bater com o sapato na mesa em uma conferência da ONU, para chamar a atenção durante a crise dos mísseis. Mas a antiga União Soviética e os Estados Unidos se consideravam iguais, não só pelo poder dos armamentos, como também pela vitória em conjunto na Segunda Guerra Mundial. A antiga União Soviética ajudou a criar uma ordem pós-guerra, que Putin agora quer destruir. Apesar da atitude hostil dos líderes soviéticos com o Ocidente, eles não eram irresponsáveis; existia um profundo receio em usar armas nucleares.

A oposição e a crítica aos Estados Unidos são os pilares da ideologia do Kremlin. Em 2007, o discurso de Putin em Munique foi um complemento ao forte crescimento da Rússia. As pesquisas de opinião mostram que o povo russo atribui a Putin a restauração do lugar da Rússia no mundo. A realização dos Jogos de Inverno em Sochi proporcionou um cenário perfeito para a demonstração de força e desembaraço de Putin.

No entanto, isso não significa que Putin tenha a intenção de provocar uma guerra com o Ocidente. A retirada das tropas russas na Ucrânia sugere que suas ações sofrem a coerção de sanções e a oposição dos russos em arriscar a vida de seus soldados. Mas a intervenção de Putin na Ucrânia ainda não terminou. De certa forma, o maior perigo reside na fraqueza da Rússia, e não em sua força.

Fontes:
The Economist-Hard talk

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    Agora o Brasil está envolvido na nova “Guerra Fria”… ao lado de Putin e da nova união soviética, para lhes fornecer os produtos que o Ocidente embargou.

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