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Por que racistas atacam igrejas de comunidades negras?

O incêndio na Igreja Mount Zion aconteceu na sequência do tiroteio em massa na Igreja Emanuel

Por que racistas atacam igrejas de comunidades negras?
Mais até do que o linchamento, a queima das casas de culto continua a ser a arma dos grupos de ódio (Foto: Wikimedia)

Na última terça-feira, 30, a Igreja Mount Zion, uma congregação predominantemente negra na pequena cidade americana de Greenville, Carolina do Sul, foi alvo de um incêndio supostamente criminoso, se tornando uma das seis igrejas de comunidades negras atacadas nas últimas duas semanas, e uma das centenas, possivelmente, milhares, nos dois últimos séculos.

A causa deste e dos outros incêndios permanecem incertas, apesar de a Associated Press, dizer que uma fonte federal não identificada informou que “as indicações preliminares” sugeriram que o incêndio não foi criminoso. Ainda assim, junto com os incêndios anteriores desde o massacre da Igreja Emanuel, de Charleston, as chamas evocam uma dolorosa história, algumas delas recentes, que ainda assombram comunidades negras.

Apenas algumas horas antes do incêndio na Mount Zion, a NAACP, uma organização de direitos civis para minorias étnicas, advertiu a estas igrejas para “tomar as precauções necessárias” contra a ameaça de ataque. Agora, as autoridades policiais federais estão investigando  se todos estes incêndios são ou não crimes de ódio.

O fato de isto ser a primeira coisa que vem na cabeça das pessoas, em casos de incêndios de igrejas das comunidades negras, continua assombrando, particularmente na sequência do tiroteio em massa na Igreja Emanuel, que está sendo tratado como um crime de ódio.

E não foi há muito tempo que houve uma onda de crimes de ódio contra igrejas de comunidades negras. A própria Mount Zion já havia sido incendiada antes – em 1995, por dois homens brancos ligados ao Ku Klux Klan.

Desde pelo menos 1822, quando foi registrado o primeiro incêndio em uma igreja da comunidade negra na Carolina do Sul, este tipo de crime tem sido a resposta padrão de racistas frustrados com o progresso dos direitos civis. Mais até do que o linchamento, a queima das igrejas continua a ser a arma dos grupos de ódio.

Elas, possivelmente, continuam a ser alvos porque permanecem como um símbolo de esperança contra o racismo americano, além de ser uma fonte de liderança, política e religiosa dentro da comunidade negra. Embora possa parecer que este tipo de igreja sempre fez parte da cultura americana – tão essencial quanto o quatro de julho – não foi sempre assim. Quando os negros foram escravizados e as reuniões entre eles foram proibidas, fundar uma igreja foi considerado um ato de rebeldia.

Fontes:
The Washington Post-Why racists target black churches

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