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MANOBRAS FRUSTRADAS

A renúncia do primeiro-ministro da Armênia

Protestos populares frustram manobras de Serzh Sargsyan similares a de Vladimir Putin para se perpetuar no poder

A renúncia do primeiro-ministro da Armênia
Como Putin, Sargsyan visava continuar no poder se revezando nos cargos de presidente e primeiro-ministro (Foto: kremlin.ru)

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“Os protestos nas ruas mostraram a rejeição do povo à minha permanência no cargo de primeiro-ministro. Assim, em atenção aos desejos dos cidadãos armênios apresento meu pedido de renúncia.” Essas não são palavras ouvidas com frequência de um governante autoritário de uma antiga república soviética. Mas esse foi o discurso de Serzh Sargsyan, que governou a Armênia nos últimos dez anos, ao renunciar ao cargo de primeiro-ministro em 23 de abril. Uma semana antes, Sargsyan estava decidido a enfrentar os protestos causados por sua nomeação como primeiro-ministro em 17 de abril, depois de cumprir dois mandatos como presidente do país.

Sua manobra para permanecer no poder assemelha-se à do presidente Vladimir Putin, que, impedido de se reeleger como presidente depois de dois mandatos consecutivos, assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2008, para se candidatar à presidência em 2012, apesar dos protestos de manifestantes que invadiram as ruas das principais cidades da Rússia. Liderados por Nikol Pashinian, um ex-jornalista e um dos principais políticos de oposição, os armênios movidos por um sentimento de indignação semelhante ao dos russos espalharam-se pelas ruas da capital da Armênia, Yerevan. Após a prisão de Pashinian durante uma manifestação, os protestos aumentaram com a adesão de militares. Poucas horas depois, Sargsyan renunciou para alegria da multidão reunida nas ruas de Yerevan e inveja da oposição na Rússia.

A Armênia, que se orgulha de ter sido o ponto de partida da desintegração da União Soviética em 1991, seguiu um caminho político diferente da Rússia. Em um país que defende a liberdade de expressão e respeita a oposição política, a deposição de Sargsyan foi um movimento dedefesa do regime constitucional contra a tentativa do Partido Republicano governista de se manter no poder.

 Até agora, a Rússia reagiu com uma imparcialidade atípica diante dos acontecimentos na Armênia. No entanto, o governo russo dificilmente tolerará um protesto pacífico que rejeita uma ordem pós-soviética corrupta. Portanto, existe um perigo real de interferência, até mesmo com o uso da violência, para impedir que Nikol Pashinian se eleja primeiro-ministro.

Alexei Navalny, o líder da oposição russa que foi proibido de disputar a eleição presidencial de 18 de março deste ano, felicitou os armênios por sua vitória política com uma mensagem no Tweeter: “Os protestos nas ruas são fundamentais para impedir que os políticos se agarrem aos seus cargos. Com coragem e determinação é possível mudar o cenário político.”

Fontes:
The Economist-People power pushes out Armenia’s boss, who was trying to do a Putin

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