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CENSURA

A repressão à imprensa mundial

O desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi é mais um fato que destaca a repressão à liberdade de expressão no mundo atual

A repressão à imprensa mundial
Casos de tentativas de censura da mídia ocorrem no mundo inteiro (Foto: Pixabay)

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Em 2 de outubro, o jornalista saudita e crítico do regime, Jamal Khashoggi, desapareceu após entrar no Consulado da Arábia Saudita em Istambul. As autoridades turcas acreditam que Khashoggi foi assassinado no local, enquanto sua noiva o esperava do lado de fora.

Na primeira semana de outubro, o governo de Hong Kong negou o pedido de renovação do visto do editor do Financial Times, Vincent Mallet, uma atitude típica, segundo um pesquisador da Human Rights Watch, “da perseguição aos críticos do regime pelas autoridades chinesas”.

E no dia 6 de outubro, o corpo da jornalista búlgara, Viktoria Marinova, foi encontrado em um parque da cidade de Ruse. A jornalista foi estuprada e, em seguida,  brutalmente assassinada. Embora as autoridades búlgaras neguem que haja uma associação entre seu trabalho e o assassinato, Marinova investigava, a pedido da Comissão Europeia, a suposta corrupção envolvendo fundos da União Europeia (UE) para a emissora de televisão búlgara TVN. É o terceiro assassinato de jornalistas na UE este ano.

Essas três histórias são um reflexo da repressão à liberdade de expressão no mundo atual. A hostilidade em relação à mídia não se limita mais aos países com governos autoritários. O presidente dos Estados Unidos, o país que deu um destaque especial à liberdade de imprensa em sua Constituição, chama os jornalistas de “inimigos do povo”. No início deste ano, mais de 300 veículos de comunicação dos EUA publicaram editoriais em defesa do papel da imprensa livre e de crítica aos ataques de Donald Trump à mídia.

Os dados referentes à liberdade de imprensa em 180 países, publicados no relatório de 2018 da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), mostraram que o cenário extremamente hostil em relação à imprensa representa uma ameaça à democracia.

Assassinatos de jornalistas na Índia, México, Nicarágua, Síria, Afeganistão, Turquia e Brasil, foram manchetes de jornais no ano passado. De acordo com a RSF, pelo menos 66 jornalistas foram mortos este ano. Além disso, 297 jornalistas foram presos em razão de protestos ou críticas aos regimes políticos. Em dezembro de 2017, o governo de Mianmar prendeu os repórteres Wa Lone e Kyaw Soe Oo, da agência de notícias Reuters, por causa da denúncia do assassinato brutal de dez homens da minoria muçulmana rohingya e do envolvimento das forças de segurança nas mortes. Em 3 de setembro de 2018, um tribunal de Mianmar os condenou a sete anos de prisão pela suposta posse de informações sigilosas e violação da Lei de Segredos Oficiais do país.

Nesse clima de hostilidade e repressão, a frase escrita por Thomas Jefferson a um amigo em 1787, ano da promulgação da Constituição dos EUA, é o símbolo de um espírito democrático: “Se me coubesse a decisão de ter um governo sem jornais, ou um governo em que jornais pudessem expressar suas ideias e opiniões sem coerção, não hesitaria um segundo em escolher esta última opção.”

Fontes:
Quartz-The disappearance of Jamal Khashoggi highlights a horrible month for press freedom

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