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EUA-RÚSSIA

A alarmante resposta à intromissão russa na democracia americana

A CIA informou membros do Congresso antes e depois das eleições que motivo da interferência russa era buscar a derrota de Hillary

A alarmante resposta à intromissão russa na democracia americana
Trump está claramente tentando fazer um acordo com Putin (Fonte: Reprodução/AFP)

Por que é inquietante ver republicanos e democratas discutindo novamente sobre a intromissão da Rússia nas eleições presidenciais do mês passado? O tema, afinal, está sendo debatido há meses.

O que mudou substancialmente nos últimos dias é que, em função de reportagens do Washington Post e do New York Times, sabe-se agora que a CIA informou membros do Congresso antes e depois das eleições de que o motivo da interferência russa não era minar a confiança na democracia norte-americana, mas buscar especificamente a derrota de Hillary Clinton.

As últimas notícias provavelmente não mudaram as opiniões de ninguém. Os republicanos que odeiam Hillary ainda estão satisfeitos por ela ter sido derrotada, e os democratas que detestam e temem Trump têm mais uma razão para não gostar do presidente eleito.

Isso é o que é — ou o que deveria ser — tão perturbador. A interferência da Rússia nas eleições no Ocidente é como um vírus atacando o corpo político. Em geral, os EUA são protegidos por respostas poderosas e bipartidárias contra tais ameaças, além de terem uma das inteligências e ciberdefesas mais sofisticadas do mundo. A resposta, no entanto, não está ganhando força desta vez.

O problema não é que todos os republicanos no Congresso ignorem a acusação de que a Rússia tentou interferir nas eleições norte-americanas. Mas os republicanos não admitem uma ideia mais bombástica: a de que o governo autoritário e antiamericano da Rússia queria que Trump ganhasse.

Já os líderes democratas, que estão em minoria em ambas as câmaras do Congresso, vêm tentando constranger os republicanos por meio de uma abordagem bipartidária.

As razões para essa resistência partidária não são misteriosas. Trump afirma que as acusações não são comprovadas e questiona a credibilidade das agências de inteligência. A declaração oficial é de que a eleição acabou e é hora de seguir em frente.

Como resultado, os republicanos do Congresso estão encurralados. Eles sempre sonharam com um governo unificado, no qual controlariam ambas as câmaras e a Casa Branca, e, portanto, poderiam avançar com o tipo de programa conservador que acreditam que colocará o país no caminho certo. Muitos elementos das políticas de Trump deixam ansiosos os republicanos mais sensatos.

Falar sobre os hackers russos coloca os republicanos em uma saia justa. Muitos altos oficiais no Capitólio desconfiam de Putin, mas sabem que os conservadores da base veem com bons olhos a forma da Rússia lutar contra o terrorismo islâmico. Trump está claramente tentando fazer um acordo com Putin no qual os EUA aplaudem enquanto os aviões de guerra russos executam a promessa de campanha de Trump de bombardear o ISIS sem se preocupar com os efeitos colaterais.

Não há provas de uma verdadeira conspiração entre Trump e a Rússia. A feroz antipatia de Putin por Hillary Clinton, que como secretária de Estado questionou a validade das eleições de 2011 na Rússia, é motivo mais que suficiente para querer derrotá-la. Não se sabe se os vazamentos de última hora de emails democratas influenciaram no resultado das eleições. Os líderes democratas não estão questionando o resultado.

Essa disputa não importa. Quando o próximo presidente norte-americano assumir o cargo em janeiro, membros da inteligência russa poderão saborear uma vitória histórica. E esse fato espantoso dividiu, e não uniu, os dois partidos que governam a maior economia do mundo. Isso deveria ser o suficiente para alarmar qualquer um.

Fontes:
The Economist - A house divided The alarming response to Russian meddling in American democracy

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