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HISTÓRIA

A restauração da história de países africanos

A França prepara-se para devolver as obras de arte e os objetos saqueados de suas colônias na África

A restauração da história de países africanos
Macron deu um prazo de cinco anos para que apresentem um projeto de devolução das obras (Foto: Wikimedia)

Um longo tempo se passou até que a França decidiu restituir as obras de arte e os objetos saqueados de suas antigas colônias na África. O presidente Emmanuel Macron, em uma palestra para estudantes universitários em Burkina Faso no ano passado, apresentou-se como um político “de uma geração que, como a de vocês, não viveu em uma época em que os países europeus tinham colônias na África”.

Macron também declarou que a devolução da arte e da cultura do continente africano aos seus países de origem era uma “prioridade” do seu governo. “É inconcebível que grande parte da herança cultural de diversos países africanos esteja na França, assim como em coleções privadas e museus europeus”, disse. Macron deu um prazo de cinco anos aos membros de seu governo para apresentarem um projeto de devolução das obras e objetos. Patrice Talon, presidente do Benim, um incentivador da cultura e da identidade africanas, tem sido o principal articulador desse movimento. Talon também insiste na devolução do rico patrimônio artístico e cultural do reino de Daomé, atual Benim, ao seu país de origem.

Mas a restituição de obras de arte e objetos às antigas colônias africanas não é um processo simples. A França criou uma comissão chefiada pela historiadora de arte francesa Benedicte Savoy e pelo economista e escritor senegalês Felwine Sarr, que, em conjunto com artistas, ativistas, colecionadores e especialistas da África e da Europa, elaboram um plano de trabalho. Em uma coletiva de imprensa no Museu Theodore Monod, em Dacar, que reúne o acervo mais importante da arte tradicional africana do Senegal, alguns membros da comissão explicaram como tem sido a dinâmica de trabalho nessa etapa inicial.

Como primeiro passo os pesquisadores examinaram os inventários oficiais das obras catalogadas nos museus franceses originárias da África. A comissão identificou 5.142 objetos que pertencem ao acervo do Museu Quai Branly dedicado à arte autóctone da África, Oceania, Ásia e Américas, originários do Senegal. Dos 5.142 objetos, cerca de 2 mil consistem em fotos e fragmentos de artefatos de cerâmica, redes de pesca, estátuas, máscaras e tecidos. Segundo Felwine Sarr, é preciso muito cuidado ao examinar essa coleção, porque ela é resultado de compras lícitas e de pilhagens de expedições militares e de arqueólogos, sem uma clara identificação de sua procedência.

A restituição de 20 cabeças tatuadas e mumificadas de guerreiros maori à Nova Zelândia pelo governo francês teve um impacto positivo na opinião pública. De acordo com a arqueóloga Marie-France Fauvet, hoje, a sociedade tem mais consciência da importância da herança cultural na formação de uma identidade nacional.

Mas além da dificuldade de contextualização de objetos artísticos fora de seu ambiente de origem, a atribuição de valor é uma questão extremante subjetiva. As redes de pesca senegalesas, que até então não têm sido vistas pelos historiadores da arte como obras artísticas, para o povo de Senegal seus nós representam códigos matemáticos antigos e, portanto, fazem parte do patrimônio cultural do país.

A iniciativa da França tem sido acompanhada por outros movimentos na Europa, como o do Benin Dialogue Group, um consórcio de museus criado em 2007. Esse grupo está estudando meios de fazer uma cessão vitalícia dos bronzes do império do Benim saqueados por tropas britânicas, em 1897, à cidade de Benin, na Nigéria. O Humboldt Forum que será aberto na Alemanha em 2019, já reúne especialistas que discutem o tema, muitas vezes controverso, da restituição do patrimônio cultural das antigas colônias africanas.

Fontes:
Quartz-France is preparing to return African artifacts looted in its colonial era

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Mas, desde 1290 serviços pessoais até os de alta tecnologia em 1897, quando as empresas inglesas fornecedoras estavam aprendendo depressa e já compreenderam que o sucesso a longo prazo depende da criação de confiança, por meio de um relacionamento contínuo e proveitoso com os seus clientes. Para isso, agregam valor ao seu serviço principal pela oferta de serviços relacionados ou complementares, posicionando-se como parceiro do cliente e historicamente oferecendo formas estruturais competitivas exclusivas. Ao mesmo tempo, investem fortunas no treinamento do seu pessoal e no uso de novas tecnologias integradas aos serviços, já na atualidade. Sabe tem muita manobra social e política para analisarmos pela história.Falta professor e as ações são distorcidas para não sabermos a verdade sobre os fatos; – Mas além da dificuldade de contextualização de objetos artísticos fora de seu ambiente de origem, a atribuição de valor é uma questão extremante subjetiva. E também ressalto, uma questão de inteligência e confiança.

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