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Eleições nos EUA

A surpresa do debate é a semelhança entre Romney e Obama

Divergências de propostas políticas dos candidatos são simplesmente tecnocráticas

A surpresa do debate é a semelhança entre Romney e Obama
Primeiro debate político aconteceu na noite de quarta-feira, 3 (Reprodução/Internet)

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Em eleições quentes como esta entre Barack Obama e Mitt Romney nos EUA, há uma tendência de caracterizar os argumentos dos dois candidatos como algo muito mais importante do que eles realmente são. É empolgante ser o partido de livre iniciativa  lutando contra as forças do socialismo, por exemplo. É lisonjeiro pensar em si como um norte-americano patriótico contra um internacionalista cosmopolita. Por outro lado, é chato pensar que você tem apenas divergências tecnocratas com a oposição. No entanto, de um modo geral, é exatamente isso o que esta eleição presidencial dos EUA representa.

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Romney apoia o Medicare e o Medicaid (programas de seguro social), bem como o vale-alimentação, e de bem-estar. Como governador de Massachusetts, ele aprovou uma lei de saúde de cobertura de subsídios para os pobres de seu estado. Romney, em outras palavras, acredita plenamente na redistribuição, menos do que Obama, mas acredita.

 

Impostos

Uma dinâmica semelhante é evidente quando o assunto é impostos.  O orçamento de Obama propõe aumento de impostos para chegar ao valor de arrecadação de 19,8% do PIB em 2022. Romney, por sua vez, diz que quer impostos em 18,75% do PIB até 2022. Há dúvidas sobre se isso é possível, dadas as propostas de corte de taxas que Romney defende, mas, em teoria, a diferença entre os dois candidatos é de cerca de um ponto percentual do PIB por ano.

 

A questão da saúde

Embora o plano para a saúde de Obama, conhecido como ObamaCare, seja baseado em reformas originalmente implementadas por Mitt Romney em Massachusetts, os republicanos o detestam. Assim, Romney teve abertura para endossar o que muitos conservadores realmente acreditam: não é papel do governo ajudar os norte-americanos a ter acesso a cuidados com a saúde. Mas Romney nunca disse nada do tipo. Em vez disso, ele moldou sua oposição ao plano de Obama a um desacordo tecnocrático e questionou apenas se o país conseguiria melhores resultados de saúde por meio de políticas na esfera estadual ou federal.

 

Criação de empregos

O papel do governo na criação de empregos apresentou outra oportunidade para uma ruptura filosófica decisiva entre os candidatos. Democratas e republicamos sempre pensaram que o governo federal pode – e deve, pelo menos durante uma recessão – criar empregos por meio de gastos diretos e cortes de impostos.

No entanto, desde a crise financeira de 2008, os republicanos têm cada vez mais questionado a lógica e a legitimidade desse estímulo keynesiano. Romney já declarou: “Governo não cria empregos. É o setor privado que cria empregos”. Mas quando indagado sobre se ele pretendia equilibrar o orçamento em seu primeiro ano como presidente, Romney  deu uma resposta digna de Keynes: “Se tirarmos um trilhão de dólares, por exemplo, do orçamento do governo federal no primeiro ano de governo, isso reduziria o PIB em mais de 5%”, ele disse à revista Time. “Isso, por definição, nos lançaria para a recessão ou depressão. Então eu não vou fazer isso”. Da mesma forma ele criticou os cortes de Obama nos gastos do Pentágono dizendo que isso eliminaria centenas de milhares de empregos. Do outro lado, Obama enfatiza um pacote de aumentos de impostos e cortes de gastos para reduzir os déficits. Ou seja, Republicanos e Democratas não discordam sobre se gastos do governo podem criar empregos ou se o governo deve tentar reduzir o déficit neste momento.

 

Reforma do setor financeiro

Tanto Obama como Romney têm resistido aos apelos por reformas do setor para evitar problemas como a quebra de grandes bancos. Em vez disso, Obama assinou a Lei Dodd-Frank, que prevê recompensas para delatores de fraudes. Embora Romney se oponha à Dodd-Frank, ele tem sido vago sobre suas objeções à lei e enfático em seu apoio à regulamentações muito semelhantes.

 

Consenso político

Não há como negar que existem diferenças reais entre as duas campanhas, mas a política norte-americana opera sobre uma compreensão bastante firme e ampla das obrigações do governo. Partidarismo muitas vezes obscurece esse fato, em parte porque o partido de fora do poder tem motivos para exagerar divergências com o partido do governo. No entanto, por trás do turbulento palco partidário, há uma arena mais calma, onde reina um amplo consenso político. Se esse consenso é bom para o país, naturalmente, é outra questão.

 

Fontes:
Bloomberg - Real October Surprise Is Obama and Romney Agree

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