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A vida dos ciganos na Europa continua difícil

A vida continua difícil para uma das minorias étnicas mais hostilizadas e perseguidas da Europa

A vida dos ciganos na Europa continua difícil
A população cigana é jovem e cresce com rapidez (Fonte: Reprodução/swissinfo.ch)

“Não seguimos modelos”, disse Zvezdelina Atanassova ao lhe perguntarem por que a educação não era valorizada em Lozenets. Nesse bairro cigano em Stara Zagora, uma cidade de 138 mil habitantes no sudeste da Bulgária, ela é uma raridade: uma mulher cigana e uma estudante. Em geral, as meninas terminam os estudos na escola primária. Os garotos saem da escola em torno de 15 anos, assim que tiram a carteira de habilitação. Quando lhes perguntam o que ambicionam fazer na vida, sete em cada dez rapazes dizem que querem ser cafetões, lamenta Gantcho Iliev, que dirige uma instituição beneficente com jovens de Lozenets. Não existe outra atividade que proporcione uma casa grande e confortável, um carro luxuoso e a atenção de mulheres bonitas como a profissão de cafetão.

Os ciganos constituem 5% da população da Bulgária, segundo o censo demográfico. Porém esse percentual não corresponde ao número real de ciganos no país, em razão da desconfiança e da recusa de alguns funcionários em registrá-los, ou de adulterarem sua etnia, porque o preconceito associa os ciganos ao atraso cultural e econômico e à prática de pequenos crimes. Em seis países da região central da Europa e do Leste Europeu calcula-se que os ciganos constituem de 7 a 10% da população. No continente europeu, metade dos ciganos não tem o mínimo de conforto como, por exemplo, água corrente. Só 15% dos ciganos terminam o ensino médio.

A população cigana é jovem e cresce com rapidez. Segundo o Banco Mundial, em cada cinco postos no mercado de trabalho na Bulgária e na Romênia, um é ocupado por um cigano; a proporção é de um para cada seis postos na Hungria e na Eslováquia. No entanto, suas perspectivas de emprego são pouco melhores do que as dos pais. As taxas de evasão escolar são altas. Os costumes valorizam a virgindade da noiva e o papel tradicional da família na educação. Muitos pais, preocupados com o fato de as filhas se misturarem com os garotos, tiram as meninas do colégio e procuram casá-las o mais rápido possível. Nas famílias mais pobres as crianças não frequentam a escola porque precisam trabalhar.

Um terço dos alunos nas escolas tchecas para deficientes mentais são ciganos, uma proporção maior do que há dois anos. Em setembro, preocupada com a situação dos ciganos, a Comissão Europeia instaurou um processo contra a República Tcheca por discriminação. Em abril a Comissão moveu uma ação judicial semelhante contra a Eslováquia. Se esses países não mudarem sua atitude discriminatória, terão de pagar multas pesadas. No entanto, os políticos resistem à reforma. A discriminação contra os ciganos está aumentando na Bulgária e na Hungria, onde uma minoria hostil aos ciganos conquistou assentos no Parlamento em 2014. O partido Jobbik – Movimento por uma Hungria Melhor, liderado pelo fundador de uma brigada de criminosos que se vestiam de preto e aterrorizavam os bairros ciganos até ser proibida em 2009, obteve 21% dos votos. Agora outros partidos estão tentando atrair eleitores que discriminam os ciganos.

Fontes:
The Economist - The Roma: Left behind

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