Início » Internacional » A visão do Kremlin: a guerra de Putin ao Ocidente
Rússia

A visão do Kremlin: a guerra de Putin ao Ocidente

À medida que a situação da Ucrânia se agrava, chegou o momento de reconhecer a seriedade da ameaça da Rússia e reprimi-la

A visão do Kremlin: a guerra de Putin ao Ocidente
Meta principal de Putin é dividir e neutralizar a aliança entre países do Ocidente (Foto: Reprodução/Economist)

Ele é ridicularizado por sua hipocrisia e condenado ao ostracismo por seus pares. Preside um país com uma moeda em franca desvalorização e uma economia em uma crise acelerada. As sanções internacionais impediram que seus amigos cleptocráticos continuassem a passar férias em suas casas luxuosas compradas com dinheiro ilícito no Mediterrâneo. Ao assumir a presidência da Rússia há 15 anos, Vladimir Putin prometeu um período de prosperidade, de imposição da lei e da integração com o Ocidente. Hoje, esse sucesso tem um tom de comicidade melancólica.

Mas os objetivos do início do seu mandato não existem mais, se é que de fato existiram. Sua meta principal é dividir e neutralizar a aliança com o Ocidente, romper a abordagem coletiva referente à segurança, e resistir e diminuir seus avanços. Com suas críticas à política externa dos Estados Unidos no Oriente Médio, com a invasão da Georgia e as inúmeras intervenções desastrosas na Ucrânia, Putin tem provocado conflitos com o Ocidente, impelido por um medo paranoico de se ver encurralado. Em retrospecto, em sua perspectiva o confronto era inevitável. No entanto, a atitude prepotente e agressiva de Putin exige uma ação mais enérgica por parte dos líderes ocidentais. A intervenção na infeliz Ucrânia não foi um acontecimento isolado, nem significou o fim de sua política de dominação dos países vizinhos.

O objetivo do Kremlin

Em 2014 com a anexação da Crimeia, Putin redesenhou o mapa da Europa à força. A guerra no leste da Ucrânia já matou milhares de pessoas. Mesmo se o acordo de cessar-fogo firmado em 15 de fevereiro for cumprido, o que é pouco provável, ele conseguiu atingir seu objetivo de controlar Donbass, que pode usar para prejudicar o desenvolvimento da Ucrânia. Mas essas incursões são apenas suas últimas tentativas de subjugar os antigos países soviéticos, seja pela chantagem energética, embargos comerciais ou guerra. Na visão de Putin só os países fracos são bons vizinhos; os vassalos são melhores do que os aliados. Só um cego obstinado poderia pensar que seu revanchismo foi saciado. Mais cedo ou mais tarde esse revanchismo se direcionará para os países-membros da União Europeia (EU) e da Otan na região do mar Báltico, e às minorias russas que alega “proteger”.

A UE e a Otan são os principais alvos de Putin. Em sua opinião as instituições e valores ocidentais são mais perigosos do que os exércitos. Ele quer impedir sua disseminação, quer destruí-los internamente e, pelo menos na frágil periferia do Ocidente, superá-los com seu modelo de governança. Nesse modelo, os países são mais importantes do que as alianças, as nações são dominadas pelas elites, e essas elites podem ser compradas.

Fontes:
The Economist - Putin´s war on the West

5 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    O que Putin está fazendo na Ucrânia não é diferente do que os ingleses fizeram com a Malvinas, os EUA fizeram no Panamá, Ilhas no Pacífico e Guantânamo (Cuba).
    A verdade é que na “diplomacia” externa o que manda é a força e a hipocrisia.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    O temor do “Ocidente” é uma possível aliança militar Rússia/China que, meio dissimulada, já existe.

  3. Samuel Reis disse:

    MATÉRIA ORIUNDA DO THE ECONOMIST, EVIDENTEMENTE TENDENCIOSA, NÃO PODERIA SER DIFUNDIDA SE NÃO NO INTERESSE DE DENEGRIR A RÚSSIA E DE DEMONIZAR A PERSONALIDADE DE PUTIN, ASSIM COMO O FIZERAM NO PASSADO SOVIÉTICO. NÃO É POR ACASO QUE O OCIDENTE, TENDO OS ESTADOS UNIDOS À FRENTE, SE UTILIZA DOS MESMOS MECANISMOS RUSSOFÓBICOS DO PERÍODO DA GUERRA FRIA, ESPECIALMENTE SANÇÕES ECONÔMICAS. OCORRE QUE O SISTEMA POLÍTICO ECONÔMICO VIGENTE, IMPOSTO PELOS ESTADOS UNIDOS, JÁ NÃO SURTEM MAIS OS EFEITOS DE OUTRORA E PELO QUE PARECE A RÚSSIA REPRESENTA UM OBSTÁCULO INTRANSPONÍVEL PARA OS PLANOS OCIDENTAIS, POIS OS RUSSOS NÃO SERVIS COMO A MAIORIA DOS EUROPEUS.

  4. rene luiz hirschmann disse:

    Jamais confie em pessoas com uma visão única, com pouco conhecimento que acham que socialistas comem crianças vivas, reflitam o que aconteceu na Ucrânia, um presidente eleito pelo povo foi destituído e com o apoio da União Europeia e dos Estados Unidos colocaram em KIEV o rei do chocolate, um milionário astuto e ambicioso, só que nem toda Ucrânia concordou, então duas cidades ao leste, através de uma votação elegeram seus representantes republicanos objetivando serem duas republicas independentes, ai a UE e a USA resolveram que isso não podia, só que a Rússia no Ocidente tratada como um pais decadente embora seja o maior produtor de gás e petróleo, o maior país do planeta e domina todos os avanços nucleares e espaciais e tem como parceiro a CHINA, disse não,o povo dessas duas cidades do leste devem ter autonomia para ser Russos ou Europeus.
    Não sou socialista, comunista ou anarquista mas procuro ter uma visão mais ampla do mundo que vivemos, e tenho certeza que os Estados Unidos não tem mais poder para ser o Xerife desse planeta.

  5. Roberto1776 disse:

    Jamais confie num comunista, socialista ou anarquista.
    Putin é as três coisas.
    PuTin e PeTê são da mesma laia: ladrões corruptos com conversa mole de tirar de quem tem (para dar para si próprios).

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *