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Nigéria

A vitória de um ex-general na eleição presidencial nigeriana

Passado de ex-general influencia vitória em um país marcado pela insurgência do Boko Haram e pela corrupção política

A vitória de um ex-general na eleição presidencial nigeriana
Muhammadu Buhari chegou ao poder em um golpe há mais de 30 anos e se tornou um dos mais severos governantes militares de seu país (Reprodução/Internet)

O ex-general Muhammadu Buhari, de 72 anos, eleito presidente da Nigéria nesta semana, não é exatamente novo no processo democrático. Ele passou a maior parte da última década fazendo campanha para o cargo e falhando a cada tentativa. Buhari tinha um longo caminho a percorrer para provar que tinha deixado seu passado militar para trás. Ele chegou ao poder em um golpe há mais de 30 anos e se tornou um dos mais severos governantes militares de seu país, travando uma “guerra contra a indisciplina”.

Buhari executou publicamente jovens traficantes de drogas na praia, prendeu jornalistas e expulsou milhares de imigrantes. Ele prendeu 475 políticos e empresários por acusações de corrupção, os julgando em tribunais militares. Seu governo durou 20 meses e acabou em outro golpe.

No entanto, seus defensores insistem que o passado de Buhari não reflete no seu presente. Eles dizem que ele é agora um democrata declarado. Mas, para muitos eleitores, foi precisamente sua dura história como ex-general que influenciou sua vitória em um país inundado pela insurgência do grupo radical islâmico, Boko Haram, e pela corrupção. Os eleitores de Buhari sugeriram várias vezes que ele era um homem que saberia lidar com ambos os problemas.

Até mesmo aqueles que tinham grandes reservas sobre Buhari engoliram suas dúvidas assim que perceberam que o país parecia sair dos trilhos sob o governo de Goodluck Jonathan. Durante o mandato do ex-presidente, os escândalos de corrupção dos ministros do governo foram ignorados, relatos de parlamentares detalhando os escândalos foram abafados e os funcionários públicos de alto escalão que expuseram os políticos foram demitidos. Acima de tudo isso, o Boko Haram matou milhares de civis e invadiu várias regiões ao norte do país.

O autor nigeriano e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Wole Soyinka, foi um dos críticos mais implacáveis de Buhari durante anos.  O autor detalhou prisões de jornalistas e músicos. Ele chegou a acusar Buhari de ter “brutalizado” os nigerianos, além de dizer que o general estabeleceu uma “norma de despotismo” no país por meio de um “decreto que proibiu qualquer discussão sobre o restabelecimento do governo democrático”. No entanto, até Soyinka reconheceu, em uma entrevista recente ao jornal Guardian, que ele votaria em Buhari.

 

Fontes:
The New York Times-Muhammadu Buhari, a Familiar, and Now Less Divisive, Choice in Nigerian Election

1 Opinião

  1. Renato Fregapani disse:

    Na Nigéria o Boko-Haram avança sob as vistas-grossas de boa parte do Exército, que veladamente os apoia. O povo acha que Buhari tem autoridade, tanto no Exército quanto com os extremistas, para restabelecer a ordem.

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