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ANTISSEMITISMO

A volta do antissemitismo americano

Grupos extremistas revivem o antissemitismo nos Estados Unidos, com ameaças a centros comunitários judaicos e atos de vandalismo

A volta do antissemitismo americano
Pela quinta vez no ano, foram registrados uma série de ameaças a centros comunitários judaicos (Foto: Wikimedia)

Mais de 150 lápides foram derrubadas ou danificadas em Chesed Shel Emeth (“O mais verdadeiro ato de bondade”), um cemitério judaico em University City, Missouri. No cemitério judaico de Mount Carmel, na Filadélfia, entre 75 a 100 lápides foram destruídas. De acordo com David Posner, da Associação do Centro Comunitário Judaico (JCC), em um único dia do mês de fevereiro, 23 centros JCCS e oito escolas em 15 estados receberam 31 ameaças, assim como centros comunitários de uma província canadense.

Essa foi a quinta de uma série de ameaças desde o início do ano.As ameaças eram falsas, mas as chamadas telefônicas foram intimidações concretas”, disse Posner. Os professores, alunos e funcionários das escolas e centros retiraram-se do local como medida de segurança.

Em seu discurso ao Congresso em 28 de fevereiro, Donald Trump criticou os ataques. Alguns dias antes, o vice-presidente Mike Pence havia visitado University City para examinar o ato de vandalismo praticado no cemitério. Mas, apesar da condenação pública de Trump, muitas pessoas culpam o presidente pelas ameaças aos centros da comunidade judaica e os ataques aos cemitérios. Uma consequência, dizem, da atitude condescendente de Trump em relação às manifestações de discriminação racial dos nacionalistas brancos, que o apoiaram maciçamente durante a campanha presidencial.

Segundo o Southern Poverty Law Center, uma organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos direitos civis e à tolerância racial, houve 867 incidentes racistas, alguns deles criminosos, nos primeiros dez dias da presidência de Trump, e os intitulou de “efeito Trump”. Quando o governo não mencionou os judeus em uma declaração emitida no dia do Memorial do Holocausto, os sites neonazistas comemoraram a omissão, com o comentário que agora os ocupantes da Casa Branca negavam o extermínio de judeus e de outras minorias na Segunda Guerra Mundial.

Na opinião do diretor do Centro Anne Frank, Steven Goldstein, o presidente precisa adotar medidas severas para conter as manifestações de antissemitismo no país. Por sua vez, o CEO da Anti-Defamation League, uma organização não governamental judaica com sede nos EUA, Jonathan Greenblatt, acha que o Departamento de Justiça precisa investigar as ameaças de bombas aos centros comunitários, além de criar uma força-tarefa federal para combater a discriminação racial e o discurso de ódio online e nas escolas.Estamos navegando em águas inexploradas”, disse Greenblatt, referindo-se às invectivas antissemitas nas redes sociais.

Fontes:
The Economist-An ancient prejudice returns

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5 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Americanos que promovem ações de antissemitismo lá nos EUA, certamente são pessoas com boa formação cultural, porém ideologicamente neonazistas. Obviamente.

  2. Rogerio Faria disse:

    Enquanto o povo israelense não se livrar daqueles dirigentes políticos que tem a ideologia fundamentalista da torá, xenofobismo e racismo estarão sempre sujeitos ao mesmo fundamentalismo.

  3. Beraldo disse:

    O inegável sucesso de Israel, fruto da também inegável competência dos judeus, não justifica a negação dos direitos do povo palestino, reconhecidos inclusive pela ONU.

  4. Roberto1776 disse:

    Dor de cotovelo é algo extremamente dolorido. Pés de chinelo não suportam ver o sucesso dos judeus, principalmente o sucesso de Israel em um local desgraçado como o Oriente Médio, onde só dá terroristas e fanáticos muçulmanos.

  5. Beraldo disse:

    Ações deste tipo são deploráveis, quaisquer que sejam os alvos e as motivações, inclusive e principalmente por serem promovidas por grupos de boa formacao cultural. Mas é também deplorável a negação dos direitos do povo palestino por parte de Israel.

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