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Sem imunidade judicial

‘Affaires’ financeiros voltam para assombrar Nicolas Sarkozy

Desde que perdeu sua imunidade judicial, antiga saga envolvendo uma herdeira da L'Oréal e perguntas sobre financiamento de campanha trazem dores de cabeça ao ex-presidente francês

‘Affaires’ financeiros voltam para assombrar Nicolas Sarkozy
Ex-presidente francês perdeu sua imunidade e enfrenta três investigações judiciais (Reprodução/Internet)

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Ao ouvir a notícia que os escritórios e a casa do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy haviam sido revistados por policiais na madrugada de terça-feira, 3, mesmo o mais erudito dos analistas políticos poderia ser perdoado se questionasse: “Por qual dos escândalos em que o ex-presidente está envolvido?”

Leia também: Sarkozy tem casa revistada em investigação de ‘caixa 2’

Desde que perdeu sua imunidade judicial em 15 de junho, Sarkozy tem estado à espera de uma convocação pela Justiça francesa para enfrentar os magistrados e explicar três iminentes “affaires” políticos, envolvendo Khadafi, Karachi e Bettencourt. A relação com Karachi seria sobre subornos para a venda de armas francesas para o Paquistão na década de 1990. Uma parte desse dinheiro teria sido usado para financiar a campanha presidencial de Edouard Balladur, em 1995. Sarkozy, então ministro do Orçamento, foi o porta-voz de Balladur, e ambos negaram o envolvimento. A suspeita da relação com Khadafi veio a público com a publicação de um documento pelo site de notícias investigativo Mediapart. O documento mostrava que o ex-ditador líbio teria dado 50 milhões de euros para financiar a campanha de Sarkozy em 2007. O ex-presidente francês diz que os documentos são falsos.

No entanto, foi pelo possível envolvimento com Liliane Bettencourt que os escritórios e casas de Sarkozy foram invadidos pela polícia, pela acusação de financiamento ilegal por parte de Bettencourt, a mulher mais rica da França. Uma acusação que mais uma vez, Sarkozy nega.

Mas por que esta operação policial dois anos após o nome do líder da direita ser mencionado ao juiz encarregado do dossiê? Simplesmente porque o cargo de presidente deixou Nicolas Sarkozy imune a todas as acusações. Nos dois últimos anos, o novo juiz responsável pelo caso, Jean-Michel Gentil, teve que esperar pelo momento certo, lidando antes com peixes menores. Apesar de seu nome, Gentil, o magistrado tem uma reputação de muita tenacidade.

Têm sido bastante trabalhosos os últimos dois anos para Gentil. Primeiro o tribunal decidiu em 2011 que Liliane Bettencourt – a maior acionista da marca L’Oréal – sofria de demência e não estava apta para gerenciar sua fortuna de mais de 20 bilhões de euros. Seu neto mais velho, o fotógrafo François-Marie Banier, foi colocado na tutela para lidar com seu patrimônio. Banier concordou em pagar uma fiança de um bilhão de euros, mas ainda assim passou duas noites na prisão, antes de ser interrogado.

Após a meia noite do dia 15 de junho, Nicolas Sarkozy esteve na mira da Justiça, e ele sabia disso. Agora um cidadão comum, ele deu um passo sem precedentes entregando seu diário de 2007 ao juiz para provar que ele só esteve com Liliane Betterncourt uma vez e não três vezes como afirmado pelas testemunhas. Então, ele achou que poderia tirar férias tranquilamente. Do conforto de seu chalé no Quebec, Nicolas Sarkozy deve ter estremecido com a notícia da revista policial em seus imóveis parisienses. A tranquilidade do ex-presidente havia durado apenas duas semanas.

E ele deve estar pensando no que aconteceu com Jacques Chirac, que foi pego pela polícia 20 anos após financiamentos ilegais para sua campanha. Chirac pegou pena de dois anos de prisão, que manchou para sempre a sua imagem.

 

Fontes:
The Guardian - Nicolas Sarkozy financial 'affaires' return to haunt him

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