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Visita à África

Africanos não querem sermão sobre direito gay na visita de Obama

Obama vai visitar uma região onde muitos denunciam que a ênfase nos direitos dos gays está aumentando na política externa

Africanos não querem sermão sobre direito gay na visita de Obama
Alguns políticos do Quênia já avisaram que são contra que Obama toque no assunto durante a visita (Foto: Pixabay)

Apesar do presidente americano Barack Obama ainda não ter ido para sua viagem à África, ele já está recebendo vários conselhos sobre o que ele deve ou não dizer em relação aos direitos dos gays. Alguns políticos do Quênia já avisaram que são contra que ele toque no assunto durante a visita.

Enquanto matérias na mídia nigeriana dizem que Obama vai pressionar o continente a aceitar o casamento entre pessoas de mesmo sexo, o presidente do Zimbabue, Robert Mugabe, até ironizou o assunto, dizendo que vai pedir Obama em casamento.

Com a recente decisão da Suprema Corte americana de que o casamento gay é um direito constitucional ainda fresca na cabeça de muitos africanos, Obama vai visitar uma região onde muitos denunciam que a ênfase nos direitos dos gays está aumentando na política externa.

Como a administração de Obama aumentou o financiamento de grupos de direitos gays no exterior e recentemente criou o cargo de enviado especial para os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, alguns líderes africanos responderam com duras leis anti-gays, que tem alimentado o sentimento contra os homossexuais.

Os ativistas dizem que essa é a chance de Obama (seu pai era queniano) – que vai visitar o Quênia e a Etiópia durante esta viagem, muito provavelmente a última à África durante a sua presidência – de reformular a narrativa em torno dos direitos dos homossexuais no continente. Em sua última viagem à África em 2013, Obama desafiou os africanos em relação aos direitos dos homossexuais durante uma entrevista coletiva com o presidente do Senegal, Macky Sall.

Sall respondeu que as leis que regem os direitos dos homossexuais eram decisões exclusivas do Senegal. Os Estados Unidos devem respeitar essa escolha, ele acrescentou, como o Senegal, que já aboliu a pena de morte, respeitada a posição dos EUA sobre esse assunto. Os comentários rapidamente estabeleceram o roteiro para outros líderes africanos.

Na última terça-feira, 21, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse em entrevista coletiva que os direitos dos homossexuais “não era um tema” e “definitivamente não na nossa agenda” no seu encontro com Obama. Irungu Kang’ata, do partido do governo do Quênia, liderou uma campanha alertando Obama a não mencionar os direitos dos homossexuais durante a sua visita. Qualquer declaração, disse ele, seria uma violação da soberania do Quênia e o mais recente exemplo do esforço dos Estados Unidos em impor seus valores sobre a África.

Ao longo do continente, atividades homosexuais continuam ilegais na maioria dos países, onde leis da era colonial continuam tendo um efeito grande. Apenas a África do Sul reconhece o casamento entre pessoas de mesmo sexo.

 

Fontes:
The New York Times-Obama Kenya Trip Sets Off Gay Rights Debate in Africa

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