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Meio ambiente

Agroecologia: a produção sustentável que está revolucionando Cuba

Criada para fazer um contraponto ao agronegócio, a agroecologia usa meios sustentáveis para intensificar a produção sem afetar o meio ambiente

Fernando Funes Monzote é um agrônomo pós-graduado de 44 anos que está revolucionando a produção agrícola de Cuba com uma nova forma de plantio: a agroecologia.

Criado como antagonista do agronegócio, o método consiste em adotar práticas sustentáveis no plantio que permitem produzir alimentos orgânicos sem ceder à acelerada cadeia de produção que devasta o meio ambiente.

Segundo Monzote, a agroecologia é um método de produção como “um grande trabalho manual, que exige persistência, mas que dá resultados que valem o esforço”.

Atualmente ele é um dos mais requisitados nomes da culinária cubana e sua fazenda, a Finca Marta, fornece produtos orgânicos para os requintados restaurantes privados que estão transformando a cozinha cubana.

Em sua fazenda, Monzote produz mais de 60 variedades de frutas, legumes e verduras plantadas em um tipo de solo que conserva a água. Entre os alimentos cultivados estão tomate-cereja, rúcula e chicória.

Ele também cria bois e usa arbustos como “cerca viva” para dividir os pastos, que também servem de ninho para pássaros.

A energia usada na irrigação provém de painéis solares e o gás que usa é gerado por um biodigestor que capta metano do estrume e enviado através de tubos para a cozinha.

Monzote aposta na agroecologia porque considera os métodos de produção atuais um retrocesso. Ele defende uma forma de agricultura inteligente, autossuficiente e artesanal, em contraponto ao agronegócio capitalista e à agricultura estatal implantada em Cuba na década de 1960, que deixou como legado um país que importa de 60% a 80% de seus alimentos.

A reaproximação entre EUA e Cuba é vista por Monzote como algo que vai por em xeque seu modelo de produção. Sua meta é criar um modelo de agricultura de subsistência sustentável.

Segundo ele, se os agricultores tiverem um meio de vida, não precisarão deixar o campo para tentar a vida nas cidades. “Se não quisermos que as empresas estrangeiras entrem e dominem a agricultura cubana novamente, temos que dar as famílias cubanas de agricultores uma forma de permanecer em suas fazendas”.

Monzote afirma que não é preciso muita terra para aumentar as colheitas, mas sim o uso de métodos que intensifiquem a produção. Ele está muito interessado em inspirar outros agricultores cubanos a adotar as práticas sustentáveis da agroecologia em suas fazendas.

“Não importa o nome que se dê a esse método. O que importa é usar meios sustentáveis para dar aos agricultores um meio de vida que mantenha-os no campo”, diz Monzote.

Fontes:
The Washington Post-An arugula-growing farmer feeds a culinary revolution in Cuba

2 Opiniões

  1. Thomas Korontai disse:

    É curioso como o “ecochatismo” provoca cegueira em tanta gente. A agricultura orgânica não resolve o problema da fome de bilhões. Se não fosse a tecnologia transgênica a Terceira Guerra já teria ocorrido, por comida…
    Eu gosto e prefiro comida orgânica. sou meio “natureba”, longe de ser vegano, mas fujo de industrializados. Mas dizer que a indústria de alimentos é retrocesso é besteira, por que foi um avanço. Está na hora de inovações? Sim, não há dúvida. Mas sem cuspir no prato que comeu.
    O discurso dese agricultor é bem programadinho… a revolução cubana ganhou agora, sutileza, para minar os EUA com seu papinho furado.
    De resto, o que vale e deve valer é a liberdade da diversidade das ideias e decisões de cada um que decida fazer algo produtivo. Buscando equilíbrio, sem radicalismo, nem de um lado, nem de outro. E sem achar que a agricultura orgânica poderá salvar o mundo. Ainda vai longe a necessária indústria dos alimentos, pois sem escala, passaremos fome…

  2. ney disse:

    Depois que o Homem saio do Jardim do Éden, onde ele pisa, vive, se alimenta, anda e tudo que põe a mão destrói a natureza.

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