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Alemanha e Estados Unidos

Alemães estão irritados com espionagem

Os alemães cobram explicações do governo sobre as acusações de espionagem e da cooperação das agências de inteligência da Alemanha e dos Estados Unidos

Alemães estão irritados com espionagem
Espiões alemães deram a impressão de terem sido manipulados como marionetes pelos americanos (Fonte: Reprodução/The Economist/Peter Schrank)

Konstantin von Notz, o vice-líder da bancada do Partido Verde e membro da comissão de inquérito do Bundestag, que investiga as acusações de espionagem dos Estados Unidos na Alemanha, é a personificação da ambivalência alemã no que se refere aos EUA. Von Notz questiona se a relação entre a Alemanha e os EUA é de “amizade ou de uma simples parceria”. Uma parceria sugere a visão cínica de uma “matemática de interesses”, por isso, ele prefere pensar em uma amizade. Mas para que haja uma relação de amizade é preciso ter “valores compartilhados”, o que inclui uma supervisão rígida de qualquer ato de espionagem no governo. Por esse motivo, von Notz insistiu, em 8 de junho, quando o Bundestag retomou suas sessões, em examinar o documento que ficou conhecido como “a lista”.

Essa lista transformou-se em uma bomba-relógio potencial, tanto para a coalizão do governo alemão quanto para a relação com os Estados Unidos. Refere-se à documentação de milhões de “seletores”, termos de busca de números de telefone, endereços de e-mail, entre outros dados que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA armazenou durante anos nos computadores do Departamento Federal de Informações (BND) da Alemanha. Os alemães monitoravam os dados e os enviavam para a NSA. Segundo um acordo firmado em 2002, os seletores não podiam ser usados para obter informações de cidadãos alemães, empresas europeias e governos dos Estados-membros da União Europeia.

No entanto, durante anos o BND não monitorou os seletores como deveria, de acordo com o testemunho de seu diretor, Gerhard Schindler, em uma reunião da comissão parlamentar. Só começou a examiná-los de maneira correta depois das revelações de espionagem sistemática da NSA por Edward Snowden, em 2013. Desde então, o BND encontrou milhares de termos de busca em sua opinião inaceitáveis, porque aparentemente eram usados para espionar empresas e governos europeus, inclusive o governo da França. Mas quantos seletores problemáticos não foram interceptados? Schindler alegou que só havia sido informado da sequência de acontecimentos entre a NSA e o BND em março. Também não se sabe ao certo o grau de conhecimento que a chanceler Angela Merkel tinha do assunto.

Os espiões alemães deram a impressão de terem sido manipulados como marionetes pelos americanos, o que foi constrangedor para a Sra. Merkel. Na campanha eleitoral de 2013, depois da divulgação da notícia que os americanos haviam interceptado seu celular, a chanceler disse que a “espionagem entre amigos é algo inadmissível”. Além disso, a Sra. Merkel deu a entender que a Alemanha iria negociar um acordo de antiespionagem com os Estados Unidos. Mas os e-mails que chegaram ao conhecimento da imprensa alemã sugeriram que os americanos tinham descartado a hipótese desse tipo de acordo. Os partidos de oposição, até mesmo o Partido Social-Democrata de centro-esquerda, que apoiou a coalizão de Angela Merkel, pensam que a Sra. Merkel enganou os eleitores em 2013.

Fontes:
The Economist - Germany and America: Waiting for Schindler’s list

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