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À sombra do Holocausto

Alemanha ainda sem resposta para o problema da arte pilhada por nazistas

Nazistas tiraram de museus alemães obras que consideravam 'degeneradas' através de uma lei que, espantosamente, ainda não foi anulada

Alemanha ainda sem resposta para o problema da arte pilhada por nazistas
Coleção de arte de Cornelius Gurlitt expõe um vácuo legal (Reprodução/CNN)

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Um dia Hollywood transformará a história de Cornelius Gurlitt, o excêntrico senhor de 80 anos de idade que vivia discretamente há décadas em um apartamento comum em Munique, por entre torres de comida enlatada e uma extraordinária coleção de 1.406 obras de arte. Mas primeiro os advogados, diplomatas e descendentes de judeus e outras vítimas dos nazistas precisam que suas perguntas sejam respondidas. A mais urgente é o que fazer com as obras de Gurlitt agora. O que o caso de Gurlitt expôs foi o fato de que a Alemanha ainda não tem uma resposta definitiva para o problema da arte pilhada pelos nazistas.

Em 1998 a Alemanha e outros 43 países assinaram os Princípios de Washington e se comprometeram a procurar por obras roubadas em suas coleções públicas a fim de devolvê-los. Mas isso não cobre os casos de “arte degenerada”, que os nazistas tiraram do controle dos museus alemães através de uma lei de 1938, a qual espantosamente não foi oficialmente anulada até hoje.  Ela também não cobre coleções privadas como a de Gurlitt.

Seja lá o que a Alemanha fizer agora, o caso de Gurlitt ainda provoca desconforto. O seu pai, Hildebrand, era um dos quatro comerciantes que os nazistas comissionaram para negociar arte “degenerada” ou pilhada, o que torna a origem de pelo menos parte da coleção problemática. Após sua morte em 1956, sua esposa contou pelo menos uma grande mentira quando afirmou que a coleção fora destruída no bombardeio de Dresden.

Gurlitt a herdou em 1967. Ele pode, portanto, ser eximido devido a um estatuto segundo o qual a pena prescreve após 30 anos, embora o procurador-geral da Bavária esteja estudando se essa disposição pode ser revogada retroativamente. Uma alternativa seria provar que Gurlitt herdou os trabalhos de “ma fé”, o que faria com que ele nunca a tivesse possuído em primeiro lugar. Ainda melhor, Gurlitt poderia voluntariamente começar a contribuir na busca por uma solução.

 

 

Fontes:
The Economist-In the shadow of the Holocaust

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