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NOVAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

Alemanha vive tensão com ameaça de terrorismo

Alguns políticos alemães apresentaram uma série de propostas, algumas sensatas, outras controversas, para diminuir a ansiedade causada pelo terrorismo

Alemanha vive tensão com ameaça de terrorismo
Pressionados pela opinião pública, os políticos apresentaram uma série de propostas para combater com mais rigor o terrorismo (Foto: Pexels)

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Até mesmo por seus padrões de exigência, os alemães estão vivenciando um conflito intenso de medo e ansiedade neste verão. Uma série de ataques terroristas em julho, entre os quais dois praticados por refugiados muçulmanos, ainda causam nervosismo entre a população. Os alemães também se preocupam com os 3 milhões de cidadãos de origem turca, muitos dos quais fizeram manifestações no país depois da tentativa de golpe de Estado na Turquia em julho, em apoio ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

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Pressionados pela opinião pública, os políticos apresentaram uma série de propostas para combater com mais rigor o terrorismo, aumentar a segurança e controlar a integração dos refugiados, em resumo, sugestões mais rígidas para lidar com as questões de identidade política, que preocupam os alemães.

Em 18 de agosto, os oito ministros do Interior dos estados federais alemães que pertencem ao partido de centro-direita União Democrata Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel, encontraram-se em Berlim para expor um resumo de suas propostas. Algumas delas, como aumentar a força policial, são indiscutíveis. Outras, com um impacto político maior, incluem a restrição à dupla cidadania e a proibição do uso da burqa em público, traje muçulmano que cobre o corpo e o rosto.

Alguns acham que as novas medidas revelam uma sensação de pânico e não uma demonstração de uma política sensata. O ministro do Interior federal, Thomas de Maizière, membro do CDU, rejeitou algumas ideias radicais de seus colegas de partido. Os políticos de centro-esquerda, por sua vez, temem que a discussão esteja se desviando de seu rumo.

O governo de membros do Partido Social-Democrata e do Partido Verde foi o responsável pela liberalização das leis de cidadania no ano 2000, com o objetivo, sobretudo, que os filhos de trabalhadores convidados da Turquia não precisassem mais escolher entre sua nacionalidade nativa e a originária dos pais. Assim, poderiam se integrar melhor à sociedade.

No entanto, o debate continuará acalorado no próximo ano, antes da eleição federal no segundo semestre de 2017. Os temores que os migrantes possam cometer atos terroristas são justificados. O serviço de inteligência alemão descobriu 340 casos de entrada de extremistas islâmicos em centros de refugiados à procura de recrutas. Mas proibir burqas e impor restrições à dupla cidadania são medidas que não fortalecem a segurança, nem promovem a integração.

Seria desastroso, advertiu Wolfgang Kubicki do Partido Democrata Liberal, se os políticos ansiosos para traduzir medo e ansiedade em votos comprometessem “os princípios que nos distinguem da Turquia no governo de Erdogan e da Rússia sob a presidência de Putin”.

Fontes:
The Economist-Integration panic

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