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Aliado de Trump acusado de abuso sexual perde eleição para o Senado

Acusado de agressão sexual, Roy Moore perdeu para o democrata Doug Jones. Derrota reduz a vantagem republicana no Senado

Aliado de Trump acusado de abuso sexual perde eleição para o Senado
É a 1ª vez que o Alabama elege um senador democrata em 25 anos (Foto: Twitter)

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A gestão do presidente americano Donald Trump sofreu um revés na última terça-feira, 12, no estado do Alabama, um dos bastiões do Partido Republicano. O republicano Roy Moore foi derrotado pelo democrata Doug Jones na eleição para senador pelo estado.

A vaga para senador foi aberta após o senador Jeff Sessions deixar o cargo, em fevereiro deste ano, para se juntar ao gabinete de Trump como procurador-geral dos EUA.

Moore, cuja campanha foi marcada por denúncias de assédio sexual, somou 48,4% dos votos, enquanto Jones somou 49,9%. É a primeira vez que o Alabama, um estado conservador do sul dos EUA, elege um senador democrata em 25 anos.

A vitória de Jones reduz a maioria republicana no senado americano para 51 assentos de um total de 100, o que torna ainda mais complicada a aprovação de projetos do governo Trump. A reforma tributária, por exemplo, foi aprovada recentemente com apenas um voto de diferença.

O resultado do pleito contrariou as projeções iniciais. Jones iniciou a campanha com 20 pontos percentuais de desvantagem. Advogado de direitos civis, ele nunca havia concorrido a um cargo político. Ele é favor de pautas progressivas, como o aborto, é alinhado à esquerda e conhecido por processar dois membros da Ku Klux Klan que, em 1963, mataram quatro meninas negras em um atentado à bomba em uma igreja da cidade de Birmingham, Alabama.

Já Moore, que chegou ao local de votação montado num cavalo, é juiz, se posiciona contra o aborto, os direitos LGBT e se diz altamente religioso. Ele foi afastado duas vezes da posição de principal juiz da Suprema Corte do Alabama. A primeira vez por se recusar a retirar um monumento dos Dez Mandamentos do edifício onde funciona o tribunal. Na segunda vez, ele foi deposto permanentemente por orientar juízes estaduais a recusar licenças de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Durante a campanha eleitoral, Moore foi acusado de agressão sexual por oito mulheres, muitas delas tinham entre 14 e 18 anos quando as agressões ocorreram, na década de 1970.

Em entrevista ao Washington Post, uma das mulheres, Leigh Corfman, hoje com 53, disse que viu Moore pela primeira vez em 1978, em um tribunal em Etowah, no Alabama, quando ela esperava o fim de uma audiência que definiria sua guarda após a separação de seus pais. Na época, Moore tinha 32 anos e era assistente do promotor local. No dia do julgamento, ele ficou encarregado de cuidar da adolescente. Segundo Corfman, nesta ocasião ele a convenceu a ir até a casa dele, onde foi forçada a beijá-lo. Em uma segunda ocasião, ela diz que Moore tirou sua roupa à força e a obrigou a tocar no pênis dele. No entanto, assim como as demais denunciantes, Corfman nega que tenha sido forçada a ter relações sexuais com Moore.

A campanha de Moore negou as acusações e disse que a reportagem com Corfman era “uma perfeita definição de notícias falsas e difamação internacional”. Porém, em meio à avalanche de denúncias de assédio sexual nos EUA, através do movimento #MeToo, a disputa entre Moore e Jones ganhou cobertura nacional. Parlamentares democratas e republicanos tentaram, sem sucesso, convencer Moore a desistir da disputa.

A derrota de Moore é um alívio para os republicanos. Isso porque o líder do Senado, o republicano Mitch McConnell, disse que se Moore fosse eleito seria imediatamente alvo de investigação na comissão de ética do Senado. A investigação ameaçava rachar o Partido Republicano.

Na noite de terça, Moore demorou a reconhecer a derrota, mesmo com 99% das urnas apuradas. “Quando a votação é tão próxima, não acabou. [..] Deus está sempre no controle. Vamos esperar no Senhor e deixar o processo correr”, disse Moore. Porém, poucos minutos depois, Trump reconheceu a vitória de Jones em uma postagem no Twitter.

“Parabéns a Doug Jones por esta vitória duramente disputada. Os votos por correio foram um fator muito importante, mas uma vitória é uma vitória. As pessoas do Alabama são espetaculares, e os republicanos vão ter outra oportunidade para este assento dentro de muito pouco tempo. Nunca acaba!”, escreveu o presidente.

O próprio Trump também é alvo de denúncias de assédio sexual. Nesta semana, três mulheres que durante a campanha presidencial de 2016 acusaram Trump de conduta imprópria, renovaram suas denúncias. Jessica Leeds, Samantha Holvey e Rachel Crooks pediram ao Congresso para investigar o presidente.

Crooks acusa Trump de forçar um beijo em 2005, na Trump Tower; Leeds afirma que ele a apalpou em um voo comercial; já Holvey diz que Trump se comportou de forma inapropriada quando ela participava do concurso de beleza Miss America. Segundo ela, ele entrou no camarim quando ela e outras modelos estavam nuas. No entanto, a Casa Branca rejeitou a investigação e classificou como falsas as acusações. Segundo a Casa Branca, o povo americano já se manifestou sobre a questão.

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