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Aliados de Boris Johnson renunciam após suspensão do Parlamento

Dois membros influentes do Partido Conservador já deixaram o cargo. Milhares de pessoas foram às ruas contra a suspensão do Parlamento britânico

Aliados de Boris Johnson renunciam após suspensão do Parlamento
Manifestantes pediam a renúncia de Boris Johnson (Foto: Hackney Green Party/Twitter)

Pelo menos dois membros importantes do Partido Conservador renunciaram a seus cargos após o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conseguir a suspensão do Parlamento por cinco semanas. A estratégia de Johnson tem sido alvo constante de críticas de opositores e também de aliados.

Ruth Davidson, que chegou a ser cotada para o cargo de primeiro-ministro, liderava a ala escocesa do Partido Conservador há oito anos. Nesta quinta-feira, 29, ela publicou uma carta nas redes sociais afirmando que está deixando o cargo.

Apesar de citar como principal motivo a família, Davidson também confirmou que “não escondeu o conflito que sente em relação ao Brexit”. A parlamentar era defensora de uma separação entre Reino Unido e União Europeia com um acordo.

Pelas redes sociais, o primeiro-ministro Boris Johnson agradeceu todo o trabalho prestado por Davidson ao longo dos últimos oito anos. De acordo com o primeiro-ministro, a parlamentar deve sentir orgulho pelo seu papel central na política escocesa.

“Sentirei falta da incrível liderança que ela deu ao nosso Partido na Escócia, mas estou feliz por ela continuar a usar sua paixão e dedicação para defender o lugar da Escócia no Reino Unido”, escreveu Johnson.

Já George Young, que atuava como porta-voz do governo no Gabinete da Câmara dos Lordes – a câmara alta do Parlamento britânico -, afirmou que não estava renunciando “principalmente” pelo Brexit, mas pela estratégia de “fazer ou morrer” adotada por Johnson. Young também é crítico a um Brexit sem acordo ou com um pacto “precipitado”, julgando que uma nova extensão pode vir a ser necessária.

Ainda não se sabe se outros membros do Partido Conservador vão seguir a decisão dos colegas de partido. No entanto, na última quarta-feira, 28, o parlamentar Dominic Grieve, que integra a legenda de Johnson, já demonstrou que outros membros da legenda podem apoiar uma possível moção de desconfiança movida contra Johnson.

“Se é impossível evitar a prorrogação, então acho que vai ser muito difícil para pessoas como eu manter a confiança no governo e eu posso ver porque o líder da oposição gostaria de apresentar uma moção para um voto de desconfiança”, destacou, fazendo referência ao líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn.

Uma pesquisa feita pelo YouGov demonstrou que a maior parte dos britânicos não aprova a estratégia adotada por Johnson para garantir o Brexit. Na sondagem, 47% dos entrevistados se posicionaram contra a suspensão do Parlamento, enquanto 27% foram favoráveis. Outros 26% não souberam responder.

Ademais, uma petição impetrada no Parlamento britânico ganhou mais atenção após a Rainha Elizabeth aprovar o pedido da suspensão. Na última quarta-feira, logo após a suspensão, a petição reunia pouco mais de 500 mil assinaturas. Já nesta quinta-feira, o documento chegou próximo de 1,5 milhão de assinaturas.

Além disso, milhares de pessoas foram às ruas em diferentes cidades do Reino Unido para protestar contra a suspensão do Parlamento. Classificando o movimento de Johnson como um “golpe”, os manifestantes pediam aos parlamentares para “salvarem a democracia”, enquanto outros pediam a renúncia do primeiro-ministro. Diferentes parlamentares da oposição participaram das movimentações.

“Estamos aqui para lutar contra o golpe de Boris Johnson. Nós temos uma democracia representativa e ao suspender o parlamento, você está removendo o direito democrático das pessoas. […] Eu acho que o que ele fez foi unir partes do país que não apoiam um não-acordo e sua forma de processo que está negando a democracia”, destacou Amelia Womack, vice-líder do Partido Verde, segundo noticiou o Guardian.

O Brexit – processo de separação entre Reino Unido e União Europeia – está previsto para o próximo dia 31 de outubro. Com a suspensão do Parlamento, os parlamentares só retornam ao trabalho no dia 14 de outubro, ficando com pouco mais de 15 dias para definir os caminhos para o Brexit. O primeiro-ministro Boris Johnson já afirmou que o processo de separação vai ocorrer no dia 31 de outubro com ou sem acordo.

Fontes:
The Washington Post-Allies of British prime minister resign amid outrage over Parliament suspension
Independent-Brexit: Tory grandee Lord Young quits over Boris Johnson’s parliament suspension
BBC-Parliament suspension sparks furious backlash

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