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PRÁTICA POLÊMICA

Alimentação forçada: cruel em Guantánamo, mas aceita em pacientes

A alimentação forçada de presos através de tubos enfiados pelo nariz gera revolta nos EUA, mas milhões de idosos do país são submetidos à prática

Alimentação forçada: cruel em Guantánamo, mas aceita em pacientes
A maior pressão para que a prática seja adotada vem de familiares (Foto: Flickr/St. Murse)

A prática da alimentação forçada ganhou notoriedade mundial após a denúncia de que prisioneiros em greve de fome em Guantánamo estavam sendo submetidos à prática. Recentemente, um vigoroso debate sobre a ética do método tomou conta de Israel, que está começando a aderir à prática.

Porém, não é preciso estar na prisão para ser alimentado à força, através de tubos enfiados pelo nariz. Nos Estados Unidos, milhões de idosos são submetidos à prática, embora não haja qualquer evidência de seus benefícios.

A alimentação por tubos foi criada para nutrir pacientes que não conseguem se alimentar sozinhos, em especial os que sofrem de demência ou estão em estágio terminal. Por vezes, tais pacientes acabam aspirando a comida para os pulmões, aumentando o risco de infecções e pneumonia.

A prática consiste em inserir um tubo, de cerca de 20 cm de comprimento, através da narina, passando pela garganta até o estômago ou o início do intestino delgado, dependendo do quadro do paciente. Os tubos são inseridos sem anestesia. Uma vez colocados, uma massa nutricional viscosa começa a ser bombeada por ele.

Mas vários estudos comprovam que a alimentação por tubos não apresenta qualquer benefício à saúde em relação a outros métodos. Entre eles, está a alimentação manual feita por outra pessoa, que é mais trabalhosa, porém, muito menos traumática para o paciente.

Alguns estudos comprovaram que a alimentação forçada, na verdade, é danosa para o paciente. Um deles revelou que pacientes submetidos à prática são mais propensos a desenvolver feridas nas costas por conta do tempo que passam imobilizados e deitados na cama. As sondas de alimentação também correm o risco de obstrução e de se deslocar dentro do paciente. Não é à toa que um ex-detento de Guantánamo classificou a experiência como “a maior dor que já sentiu na vida”.

A maior pressão para que a prática seja adotada em um paciente vem dos próprios familiares. Mas os médicos também costumam oferecer a prática, afirmando que ela aumenta as chances de sobrevivência do paciente. Logo, para acabar com o alastramento da alimentação forçada, será necessário o envolvimento das duas partes.

Fontes:
The New York Times-Force-Feeding: Cruel at Guantánamo, but O.K. for Our Parents

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1 Opinião

  1. ney disse:

    Essa pratica seria mais aproveitada se fossem feita no governo Americano e seus lacaios.

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