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CRISE HUMANITÁRIA

Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU visita Venezuela

Michelle Bachelet deve fazer uma avaliação pública da situação do país nesta sexta-feira, 21

Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU visita Venezuela
Alta Comissária da ONU deve manter comissários no país por três meses (Foto: Maikel Moreno TSJ/Facebook)

A Alta Comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, está na Venezuela para avaliar a crise no país. Na última quinta-feira, 20, Bachelet se reuniu com parentes de políticos opositores ao presidente, Nicolás Maduro, presos e com altos funcionários do governo.

Pelas redes sociais, Bachelet informou que, após o fim da visita, que termina nesta sexta-feira, 21, fará uma avaliação pública sobre a situação do país. Além disso, a Alta Comissária revelou que deve manter dois comissários no país por, pelo menos, três meses. Antes do fim da visita, Bachelet ainda deve se reunir com o presidente eleito, Nicolás Maduro, e o autoproclamado presidente, Juan Guaidó.

A visita de Bachelet está sendo marcada por diferentes manifestações pelo país. Na última quinta-feira, centenas de pessoas se reuniram em pontos da capital Caracas para chamar a atenção para o enfraquecimento do sistema de saúde pública e a instabilidade no país. “Bachelet, escute o povo, não se feche com políticos que vão te dizer que está tudo bem”, pediam os manifestantes.

Segundo a ONG Foro Penal, pelo menos 687 pessoas foram detidas no país por razões políticas. A Alta Comissária afirmou que está “trabalhando na possibilidade de libertação de vários presos”. Neste sentido, Bachelet já se reuniu com o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, e com o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno.

De acordo com o procurador-geral, o chavista Tarek William Saab, 596 agentes do Estado já foram acusados por violações de direitos humanos. Bachelet admitiu que recebeu denúncias de “assassinatos, detenções arbitrárias e torturas” durante as manifestações na Venezuela.

A Venezuela atravessa uma grave crise econômica, social, humanitária e política. Atualmente, o país está dividido. O presidente Nicolás Maduro ainda governa e tem o poder público em mãos. Do outro lado, Juan Guaidó já foi reconhecido como presidente interino por mais de 50 países e tenta garantir a derrubada de Maduro para restabelecer a estabilidade política.

A inflação na Venezuela ultrapassou os 130 mil por cento em 2018, segundo dados do Banco Central do país. No entanto, o levantamento demonstra uma inflação menor do que a projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o órgão, a inflação na Venezuela alcançou 1.698.844% em 2018. Para 2019, a previsão do FMI é ainda pior. Para o órgão, a inflação vai atingir 10.000.000% neste ano

De acordo com dados da ONU, a instabilidade na Venezuela já levou ao êxodo de mais de 3,4 milhões de pessoas, que migraram para países vizinhos. Ademais, mais 1,9 milhões de pessoas devem deixar a Venezuela em 2019. Já outros 7 milhões de venezuelanos precisam de ajuda humanitária urgentemente.

Para Bachelet, a falta de reconhecimento oficial do governo da situação atual do país dificulta a recuperação da Venezuela. Além disso, a Alta Comissária é crítica às sanções aplicadas pelos Estados Unidos. Em conversa com Bachelet, o ministro do Planejamento de Maduro, Ricardo Menéndez, afirmou que as medidas americanas “exacerbaram a situação de asfixia da economia”, afetando a indústria petrolífera do país.

Leia também: Cruz Vermelha triplica ajuda humanitária à Venezuela

Fontes:
AFP-Bachelet se reúne com parentes de opositores presos e altos funcionários venezuelanos

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