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CIÊNCIA

Análise dos sinais elétricos do cérebro faz anestesia ser mais segura

Um trabalho científico apresentado em uma conferência mostrou o uso da análise dos sinais elétricos do cérebro nas anestesias

Análise dos sinais elétricos do cérebro faz anestesia ser mais segura
Esse tipo de experimento pode ser considerado antiético por um comitê de avaliação de pesquisas que envolvem seres humanos (Foto: Pixabay)

Em 1936, três neurologistas da Harvard Medical School fizeram um experimento para medir a frequência das ondas cerebrais sob o efeito de drogas. Depois de darem uma mistura de morfina, barbitúricos, éter e veneno de cobra a alguns voluntários eles colocaram elétrodos em seus couros cabeludos e nos lóbulos das orelhas. Em seguida, registraram as mudanças nos sinais elétricos à medida que as drogas faziam efeito.

Esse tipo de experimento pode ser considerado antiético por um comitê de avaliação de pesquisas que envolvem seres humanos, mas o trabalho de Gibbs, Gibbs e Lennox ainda é uma referência no campo da neurologia. Eles mostraram que os diversos estágios da diminuição da atividade cerebral causada por sedativos podiam ser registrados pela leitura dos sinais elétricos.

A partir desse estudo, Emery Brown, também neurologista na Harvard Medical School, desenvolveu uma teoria apresentada na conferência anual da American Association for the Advancement of Science, que a análise estatística dos sinais elétricos registrados na eletrencefalografia (EEG), permite que os médicos calculem com mais precisão a aplicação de substâncias anestésicas em pacientes.

A EEG de um cérebro consciente mostra a frequência das oscilações no campo elétrico do cérebro. Mas em estado de profundo relaxamento provocado por sedativos as ondas cerebrais se uniformizam. Segundo Dr. Brown, a análise de uma EEG permite que os anestesistas avaliem melhor o grau da perda de sensibilidade do corpo e da consciência do que com o acompanhamento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos.

Como exemplo, citou uma cirurgia recente em que pôde administrar apenas um terço da dose normal do anestésico propofol em um paciente com câncer de 81 anos, monitorando suas ondas cerebrais e evitando, assim, possíveis efeitos colaterais de uma dose excessiva. Com o objetivo de automatizar o processo, Dr. Brown inventou uma máquina que regula as doses dos anestésicos em resposta às alterações das ondas cerebrais.

Além disso, Dr. Brown afirmou que seu conhecimento profundo do registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas no encéfalo, por meio de elétrodos colocados no couro cabeludo, lhe permite criar uma sensação de “bloqueio”, em que uma pessoa tem consciência do ambiente que a cerca, mas é incapaz de fazer um movimento. Um experimento que também seria considerado antiético pelos padrões atuais de avaliação de projetos que envolvem seres humanos.

 

Fontes:
The Economist-Making anaesthesia safer by tracking brain activity

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