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Quando a ciência erra

Análises de artigos publicados na internet ganham força

Dois grandes resultados científicos recentes estão sendo questionados – e é a revisão por pares aberta na internet que tem feito esse questionamento

Análises de artigos publicados na internet ganham força
A internet faz com que qualquer pessoa possa criticar estudos que estão em domínio público (Fonte: Reprodução/The Economist)

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Os cientistas se orgulham do fato de que o seu trabalho é analisado anonimamente por alguns de seus pares antes de ser publicado. Essa “revisão por pares” deveria detectar erros e manter todo o processo honesto. Graças a uma mistura de deliberação e pressão tecnológica o sistema está começando a mudar. A internet faz com que qualquer pessoa possa se considerar um par e criticar estudos que estão em domínio público. E dois incidentes recentes mostraram quão valioso isso pode ser.

O primeiro se refere a células-tronco pluripotentes, as predecessoras de praticamente todas as células do corpo. Células pluripotentes interessam a médicos e biólogos, que esperam utilizá-las para investigar doenças, testar remédios e, em algum momento, fazer com que partes danificadas do corpo de pacientes cresçam novamente.

Inicialmente essas células tinham que ser extraídas de embriões, um processo eticamente questionável caso esses embriões fossem humanos. Depois uma maneira de fazê-las a partir de células da pele foi desenvolvido. Então quando a Nature publicou dois estudos descrevendo uma maneira mais simples de fazê-lo, as pessoas ao redor do mundo os leram atentamente.

Logo após os estudos serem publicados as dúvidas começaram a surgir. Embora a Dra. Haruko Obokata do Centro RINKE para o desenvolvimento da Biologia em Kobe, Japão, tenha defendido o seu trabalho, os seus coautores se dividiram sobre a possibilidade de formalmente retirarem os estudos de circulação. Em 4 de junho ela supostamente concordou em retirar os dois (embora eles ainda estivessem disponíveis no site da Nature, sem alteração, há até pouco tempo).

O segundo incidente veio da cosmologia. Em 17 de março pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, coordenado por John Kovac, participaram de uma coletiva de imprensa na qual anunciaram que haviam descoberto padrões interessantes no histórico das microondas cósmicas, um tipo de radiação fraca que sobrou dos primeiros momentos do universo. Eles afirmaram que haviam detectado as assinaturas de ondas gravitacionais primordiais, ondulações no espaço formadas logo após o Big Bang.

Mais uma vez, tratava-se de uma notícia importante. O Dr. Kovac e seus colegas atribuíram muita importância aos seus dados disponíveis on-line à época, fazendo com que centenas de físicos checassem a validade do seu trabalho. As dúvidas começaram a emergir.

Ambos os casos refletem a a ascensão da revisão pós-publicação no Facebook e Twitter, por e-mail, em blogs, e na seção de comentários de sites como arXiv, que abriga versões pré-publicação de estudos de física e matemática.

Blogs, correntes de comentários e grupos de discussões de Facebook significam que alguns dos debates que costumavam acontecer sob portas fechadas agora ocorrem em público, aos olhos de todos.

Fontes:
The Economist - When science gets it wrong: Let the light shine in

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