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Lidando com Putin

Angela Merkel sabe lidar melhor com a Rússia do que Obama

É melhor confiar no instinto de Angela Merkel para entender Vladirmir Putin do que no de Obama

Angela Merkel sabe lidar melhor com a Rússia do que Obama
Angela Merkel é a líder que ataca a repressão de Putin mais abertamente (Reprodução/Internet)

A presidência de Vladimir Putin vem se tornando cada vez mais repressiva desde que ele voltou ao poder. Ele reprimiu ou forçou o fechamento de organizações não governamentais, processou líderes da oposição e aprisionou estrelas pop com base em acusações inconsistentes. A corrupção está arraigada, o judiciário foi castrado e os críticos são frequentemente rotulados como agentes estrangeiros traiçoeiros. A evidência é clara; a questão é como o Ocidente deve responder.

Até agora aconteceu uma inversão curiosa da prática habitual. Os países europeus, liderados pela Alemanha, o maior parceiro comercial da Rússia, favorecem há muito uma abordagem flexível. Os americanos, por outro lado, costumam preferir um posicionamento mais firme, insistindo que o Ocidente deve defender os direitos humanos e a democracia em todo o mundo e denunciaram a marcha russa rumo à autocracia. Hoje em dia, no entanto, Barack Obama apoia a abordagem pragmática que sustentou o “reestabelecimento” que se deu em seu primeiro mandato, argumentando que o país precisa da contribuição russa na luta contra o terrorismo, nos tratados de controle de armamentos e em regiões como o Oriente Médio. É Angela Merkel a líder que ataca a repressão de Putin mais abertamente.

Merkel está certa e Obama está errado por três razões. Primeiro, abster-se de criticar pode não ter o efeito de fazer com que Putin aja cooperativamente. A segunda razão é que as críticas podem ter mais efeito do que creem os céticos. Putin e seus camaradas não vão adotar a democracia liberal de uma hora para a outra. Mas eles têm consciência de sua imagem (e ativos) no exterior e gostam de ser avaliados com base em padrões ocidentais. A terceira – e mais importante – razão é que o Ocidente deveria defender seus valores democráticos de modo a apoiar a oposição a Putin. Um dia a mudança chegará à Rússia – assim como à Síria. Quando isso acontecer, entre os perdedores estarão aqueles que apoiaram ou coadunaram-se com os ditadores.

 

*Texto traduzido e adaptado da Economist por Eduardo Sá

Fontes:
The Economist-Tougher love needed

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