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BUSCA PELO 4º MANDATO

Angela Merkel, a última defensora dos valores liberais do Ocidente

Angela Merkel é a última líder capaz de defender os valores liberais contra governos autocratas como o de Vladimir Putin, na Rússia, e o de Erdogan, na Turquia

Angela Merkel, a última defensora dos valores liberais do Ocidente
Merkel enfrenta desafios internos e no plano internacional (Foto: Wikimedia)

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“Preciso de tempo para pensar antes de tomar uma decisão”, disse Angela Merkel em 20 de novembro, ao explicar por que só agora estava confirmando o que a maioria dos alemães presumia há muito tempo. Merkel irá se candidatar ao quarto mandato como chanceler da Alemanha na eleição para o Bundestag no segundo semestre de 2017. Considerada uma candidata vitoriosa até julho de 2015, a chanceler perdeu o apoio de muitos conservadores no último outono, quando abriu as fronteiras da Alemanha aos refugiados que chegaram em massa na Europa.

Merkel também perdeu o apoio de um aliado importante, o primeiro-ministro da Baviera, Horst Seehofer, que quer fixar um limite máximo para os requerentes de asilo. Mas com o impacto menor da crise dos refugiados e o aumento de sua popularidade, Merkel por fim decidiu que só lhe restava a escolha de concorrer de novo em 2017. Ela não tem um sucessor óbvio em seu bloco conservador e talvez seja a única pessoa capaz de proteger seu legado de 11 anos da política centrista, em um momento de turbulência populista.

É possível que a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos no início de novembro tenha influenciado sua decisão. De repente, o futuro papel dos EUA como líder da ordem liberal pós-guerra está sendo questionado. Outras potências ocidentais estão envolvidas em seus problemas internos. O Reino Unido discute as implicações da saída da União Europeia (UE) e a França está sob a ameaça da vitória de Marine Le Pen, uma eurocética de extrema-direita, nas eleições presidenciais em 2017.

Angela Merkel é a última líder capaz de defender os valores liberais do Ocidente contra governos autocratas como o de Vladimir Putin na Rússia e o de Recep Tayyip Erdogan na Turquia. E como uma confirmação das expectativas de Merkel, Barack Obama, em sua última visita a Berlim em novembro como presidente dos Estados Unidos, disse que se fosse cidadão alemão votaria nela.

No entanto, a chanceler tem feito o possível para atenuar a ideia que possa ser o salvador do mundo em potencial. Na conferência de imprensa em que anunciou sua candidatura, Merkel disse que essa ideia era “grotesca e quase absurda”. Segundo comentários em Berlim, essa expectativa exagerada seria prejudicial à sua campanha no próximo ano. O partido populista de direita alemão, a Alternativa para a Alemanha, com 13% de intenção de votos, ainda é o menor partido populista da Europa. Porém a imagem de Merkel como a defensora da globalização cosmopolita faria dela um alvo da “provocação” dos populistas, disse um analista político.

Nesse contexto, Merkel enfrenta desafios internos e no plano internacional. Em novembro, ela sofreu uma derrota tática contra seu parceiro no governo e principal concorrente na campanha para as eleições legislativas, o Partido Social-Democrata. A chanceler tentou encontrar alguém em seu partido, o Democrata-Cristão, para substituir o presidente Joachim Gauck em fevereiro. A presidência da Alemanha é um cargo fundamentalmente representativo, porém tem uma forte carga simbólica.

Mas Sigmar Gabriel, o líder do Partido Social-Democrata, apresentou o candidato do seu partido, o atual ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, como substituto de Gauck. Com a intenção de evitar um conflito entre os partidos Merkel concordou.

A indicação de Steinmeier e o anúncio da candidatura de Merkel aumentaram a pressão para que os sociais-democratas revelem seus projetos. Como líder do partido Sigmar Gabriel seria o candidato natural ao cargo de chanceler. Porém seu apoio no partido é instável e muitos sociais-democratas acham que o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, seria um candidato com mais condições de disputar a eleição com Merkel. Existe também a possibilidade que Schulz seja o substituto de Steinmeier como ministro das Relações Exteriores. Portanto, os sociais-democratas precisam decidir logo sua estratégia ou correrão o risco de se envolverem em lutas internas.

Apesar do papel controverso de Merkel durante a crise dos refugiados, suas chances de conquistar um quarto mandato são excelentes. Na última pesquisa de intenção de votos o apoio à sua candidatura tinha aumentado para 55%, em comparação com 42% em agosto. Ainda mais importante, todas as pesquisas recentes indicam que a única coalizão que a poderia enfrentar, uma aliança interpartidária entre os sociais-democratas, o partido Aliança 90/Os Verdes e o partido socialista The Left, não obteria a maioria. Esse cenário político sugere a forte probabilidade de Angela Merkel continuar em seu cargo até 2021, superando os mandatos de  Konrad Adenauer e Helmut Kohl como o chanceler que serviu à Alemanha por mais tempo.

Fontes:
The Economist-Angela Merkel will run for a fourth term as chancellor of Germany

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