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Aniversário da liberação de prisioneiros de Auschwitz foca em sobreviventes

Artigo do ‘New York Times’ diz que Auschwitz é um símbolo mal compreendido

Aniversário da liberação de prisioneiros de Auschwitz foca em sobreviventes
Judeus ortodoxos de Londres visitam campo de Auschwitz. Na imagem é possível ver a frase "Arbeit macht frei" (o trabalho liberta, em tradução livre), colocada na entrada do campo (Reprodução/Sean Gallup/Getty Images)

Cerca de 300 prisioneiros antigos de Auschwitz vão viajar para Oswiecim, na Polônia, para prestar tributo ao 70º aniversário de liberação dos sobreviventes de Auschwitz. A homenagem vai acontecer na próxima terça-feira, 27, no Portão da Morte de Birkenau, na entrada do campo. Pawel Sawicki, um assessor de imprensa do Museu Estadual de Auschwitz-Birkenau, disse que a homenagem vai ser focada nas histórias de sobreviventes, o que não inclui nenhum discurso político.

O Exército Vermelho libertou 7 mil sobreviventes de Auschwitz em 27 de janeiro de 1945. Entre 1940 e 1945, cerca de 1,1 milhão de pessoas que passaram pela frase “Arbeit macht frei”  (o trabalho liberta, em tradução livre), colocada na entrada do campo, nunca saíram de lá. Muitos prisioneiros foram mortos nas câmaras de gás. Acredita-se que apenas 200 mil tenham sobrevivido. Dias antes da libertação, os nazistas forçaram cerca de 60 mil prisioneiros de Auschwitz a marcharem para outros campos. Poucos sobreviventes conseguiram fugir.

O desafio da preservação da memória

Segundo Sawicki, preservar tudo como está é um “enorme desafio”. Auschwitz conta com 155 prédios, 300 ruínas e milhares de objetos, incluindo próteses, objetos de arte e panelas. O constante ciclo de conservação custa cerca de 4 a 5 milhões de euros anualmente.

A professora de História na Universidade Estadual de Kennesaw, na Geórgia, Catherine Lewis, falou sobre a dificuldade da preservação da memória. “Quando todos os sobreviventes tiverem morrido, a oportunidade de ouvir suas histórias e de fazer perguntas  irá embora também. Então, as estruturas físicas de Auschwitz e de outros campos de concentração serão as únicas testemunhas restantes”, diz Catherine, que também é diretora do Museu de História e Educação sobre o Holocausto.

Símbolo mal compreendido

Em artigo publicado nesta segunda-feira, 26, no New York Times, o escritor Daniel Jonah Goldhagen, autor de “Os carrascos voluntários de Hitler” (Hitler’s willing executioners”), defende que Auschwitz foi mal compreendido. De acordo com Goldhagen, relatos históricos e populares tendem a enfatizar Auschwitz por sua brutalidade e eficiência burocrática. No entanto, esse campo era tecnicamente desnecessário para a realização do Holocausto. O cliché “linha de montagem de mortes” contradiz o fato de que mandar judeus para “fábricas da morte”, a centenas de distância, era menos “eficiente” do que apenas matar as vítimas onde os alemães os encontravam. A liderança nazista criou essas “fábricas” não por razões de rapidez, mas para distanciar os assassinos das vítimas.

Os meios técnicos de realização das mortes em massa não eram a questão principal. Pelo contrário, os elementos cruciais eram outros: a decisão dos líderes políticos de cometer genocídio, a participação de um grande número de militares, a simpatia de uma população civil – no caso do Holocausto, os alemães e muitos outros europeus -, e, acima de tudo, a ideologia de que aniquilar povos é necessário e certo. É por isso, e não pelas suas especificações técnicas, que Auschwitz é tão importante, diz o escritor. Auschwitz é um símbolo mais amplo e pouco compreendido da revolução racista que os alemães fizeram na Europa, que pretendia anular os fundamentos da civilização ocidental, incluindo a noção de uma humanidade comum.

 

 

 

Fontes:
CBC News-Auschwitz liberation's 70th anniversary focuses on survivors
The New York Times-How Auschwitz Is Misunderstood

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