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PRECONCEITO

Antissemitismo avança no mundo

Estudo feito em universidade israelense denuncia aumento do preconceito contra judeus

Antissemitismo avança no mundo
Foi registrado um grande aumento em casos de abusos, assédios e violência verbal (Foto: Wikimedia)

O antissemitismo voltou a avançar no mundo. As informações são de um levantamento do Kantor Center, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, divulgado na última quarta-feira, 11. De acordo com o estudo, o antissemitismo não está ligado apenas a ascensão da extrema direita na Europa, mas também à movimentos da esquerda.

Segundo a pesquisa, apesar do avanço, os números de incidentes violentos tiveram uma leve redução de 9% entre os anos de 2016 e 2017 – caindo de 361 casos para 327. Os atos de violência estão ainda mais presentes em regiões soviéticas, nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, América do Sul e na África do Sul.

Se por um lado o número de registros de violência antissemitas caiu, um grande aumento em casos de abusos, assédios e violência verbal foram notados no mesmo período. “Expressões de antissemitismo tradicional clássico estão de volta e, por exemplo, o termo ‘judeu’ se tornou um palavrão”, aponta o estudo.

De acordo com o relatório, muitos judeus estão evitando usar símbolos religiosos ou se identificarem como tal para evitar atos de violência física ou verbal. Segundo os autores, as atitudes da esquerda são decorrentes do apoio a atos radicais registrados em movimentos como o “Boicote, Desinvestimento e Sanções” (BDS) e a “Antifa” (combate ao fascismo).

“Esses incidentes não necessariamente se originam de círculos e países muçulmanos ou árabes, mas de uma variedade de círculos e países, da maior parte do espectro político, incluindo grupos de esquerda”, afirma o relatório, explicando ainda que movimentos crescentes de antissemitismo na esquerda “apoia atitudes muçulmanas radicais contra Israel, e certamente no Partido Trabalhista britânico liderado por Jeremy Corbin”.

Segundo o estudo, milhares de judeus se mudaram dentro da França nos últimos anos sob a justificativa de que eram judeus. No entanto, os autores apontam outros aspectos influentes fora do campo político. “Ainda não há uma resposta clara a questões se a ascensão de partidos de direita eurocéticos e anti-imigração está causando mais antissemitismo, ou se os recém-chegados à Europa de 2016 elevaram o nível de criminalidade e antissemitismo em 2017”.

Os movimentos antissemitas estão usando ainda o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel – feito pelos Estados Unidos – como um pretexto para atacar os judeus. De acordo com o relatório, os últimos meses de 2017 e os primeiros de 2018 foram marcados por casos de violência.

Em Londres, no Reino Unido, milhares de pessoas marcharam, nas últimas semanas, contra um possível movimento antissemita do Partido Trabalhista britânico. No fim de março, na França, um brutal assassinato de uma sobrevivente do Holocausto, que já tinha 85 anos, está sendo investigado para verificar se o antissemitismo foi a principal motivação.

Uma polêmica lei sobre o Holocausto foi aprovada na Polônia, e muitos críticos apontam a nova legislação como sendo antissemita. Já na Alemanha, foi registrado uma série de incidentes antissemitas em escolas do país, segundo apontou o jornal Washington Post.

Todos esses incidentes, fora os que não são registrados, feitos com agressões verbais ou postagens nas redes sociais, elevam o medo dos judeus em todo o mundo. Mesmo com as medidas de segurança melhoradas ao longo dos anos, as comunidades judaicas ainda convivem com um sentimento de “angústia”, com a memória do Holocausto ainda bem vívida em sua memória.

“Houve um aumento no ódio aberto, desavergonhado e explícito dirigido contra os judeus. O judeu como explorador, o judeu como assassino, o judeu como banqueiro. É como se tivéssemos regredido 100 anos”, apontou o presidente do Congresso Judaico Europeu, Moshe Kantor, através de um comunicado divulgado pelo Washington Post.

 

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Fontes:
DW-Estudo denuncia avanço do antissemitismo no mundo
The Guardian-Traditional antisemitism is back, global study finds

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