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Após anos de disputa judicial, diário de preso em Guantánamo é publicado

Mohamedou Ould Slahi descreve torturas, maus-tratos e o desprezo do governo americano pelos princípios consagrados na Constituição do país

Após anos de disputa judicial, diário de preso em Guantánamo é publicado
Diário de Mohamedou Ould Slahi foi lançado pelo seu irmão, na foto ao lado da advogada do preso, Nancy Hollander (Reprodução/Ben Stansall)

Mohamedou Ould Slahi é o tipo de pessoa que atrai o interesse das agências de espionagem ocidentais. Nascido na Mauritânia, ele aderiu à Al Qaeda em 1991 quando o grupo estava lutando contra o governo comunista do Afeganistão.

Depois de sair do Afeganistão em 1992, quando afirmou ter cortado todos os vínculos com a Al Qaeda, Slahi viveu na Alemanha e, por pouco tempo, no Canadá. No ano 2000, no retorno à Mauritânia, ele foi preso no Senegal sob suspeita de ter participado do “Millennium plot”, o plano de uma série de ataques terroristas, entre os quais soltar uma bomba no aeroporto de Los Angeles. No entanto, as autoridades americanas não encontraram provas para incriminá-lo.

O atentado ao World Trade Center em Nova York, em 11 de setembro de 2001, e o começo da “guerra ao terror”, uma iniciativa do governo dos Estados Unidos de combate ao terrorismo, atraiu de novo o interesse dos americanos por Mohamedou Ould Slahi. Em novembro de 2001, a polícia da Mauritânia pediu a Slahi para acompanhá-la à delegacia. Apesar de os policiais terem dito que ele não precisava se preocupar, depois de oito dias de interrogatório, Slahi foi enviado para a Jordânia, um país com a reputação de torturar os prisioneiros. Oito meses mais tarde ele foi encapuzado, algemado e o embarcaram em um avião militar com destino ao campo de detenção de Guantánamo, uma prisão militar dos EUA na baía de Guantánamo em Cuba, onde ainda está preso.

Guantánamo Diary foi escrito em 2005, depois que as autoridades deram papel e caneta a Slahi em troca de sua cooperação. Quando começou a escrever o diário, as descrições das torturas, maus-tratos e o desprezo do governo americano pelos princípios consagrados na Constituição do país foram chocantes. Mas sua publicação foi adiada durante muitos anos em razão de disputas judiciais. Agora, sobretudo depois do relatório do Senado sobre tortura divulgado em dezembro, seu conteúdo é revoltante e, ao mesmo tempo, familiar.

Catorze anos depois de ter acompanhado a polícia à delegacia na Mauritânia, Slahi continua na prisão em Guantánamo. Ao longo do livro ele alega inocência e afirma, como antes, que cortara todos os vínculos com o islamismo radical no início da década de 1990. É impossível para os leitores julgarem se ele é ou não inocente. Mas um juiz federal reviu as provas do governo contra Slahi, achou-as inconsistentes, e em 2010 mandou soltá-lo.

O governo de Barack Obama recorreu contra a decisão do juiz e o caso continua pendente. Dez anos depois de escrever seu diário e sem ter sido submetido a julgamento pela democracia mais poderosa do mundo, Slahi continua na prisão.

Fontes:
Economist-Blame game

2 Opiniões

  1. Luiz disse:

    Fazer com ele o mesmo que eles fazem com pessoas inocentes, degola, e se possível com uma faca cega.
    Mandem estes bando de bunda rachada dos direitos humanos plantar batatas, ou melhor, eles irem lá no Oriente Médio e brigar com os fundamentalistas para libertarem os prisioneiros, e para que eles parem com a carnificinia pois estamos no século 21 e não no século 16 como eles acham que estão.

  2. Roberto1776 disse:

    Extremamente chocante, mas sabemos que uma vez terrorista, sempre terrorista, vide Dilmalvada que continua, em pleno século 21, aterrorizando e saqueando os brasileiros (meio bilhão de reais só na Petrossauro, segundo VEJA desta semana).
    A pergunta é: teríamos coragem de levar Mohamedou Ould Slahi para viver em nossa casa ou lhe dar um emprego em nosso negócio?
    A teoria é uma coisa, a prática é totalmente diferente.
    Uma opção seria os irmãos Castro oferecerem uma área contígua a Guantánamo para hospedar essas pessoas suspeitas de terrorismo mas sobre as quais não existe consenso.
    Os velhotes poderiam até se candidatar a um prêmio Nobel da Paz.

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