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POLÍTICA INTERNACIONAL

Após eleições, Portugal vive expectativa sobre continuidade da ‘geringonça’

Aliança, formada na derrota eleitoral de quatro anos atrás, corre riscos justamente após vitória deste domingo

Após eleições, Portugal vive expectativa sobre continuidade da ‘geringonça’
‘Geringonça’ conquistou 137 cadeiras no Parlamento (Foto: antoniocostaps/Twitter)

Há algo curioso, muito curioso no governo de esquerda que foi reeleito neste domingo em Portugal: há quatro anos, em 2015, quem ganhou as eleições gerais portuguesas, quem conquistou nas urnas maioria relativa no Parlamento não foi o Partido Socialista (PS), mas sim a coligação Portugal à Frente, de direita, formada pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo Partido Popular (CDS-PP).

Naquela feita, porém, a coligação Portugal à Frente não conseguiu formar maioria absoluta para governar. Quem a formou foi o PS, segundo colocado naquelas eleições e que se uniu ao Coligação Democrática Unitária (CDU, onde está o Partido Comunista Português) e ao Bloco de Esquerda (BE) para demitir o governo de Pedro Passos Coelho apenas 11 dias depois desse governo ser empossado, em votação feita no Parlamento na sequência da rejeição, no mesmo Parlamento, do programa de governo da coligação que, digamos, venceu mas não levou.

Foi assim que o XX Governo Constitucional de Portugal, o de Pedro Passos Coelho, foi o mais curto em 40 anos da democracia constitucional portuguesa, sem nem chegar de fato a entrar em funções. Foi assim também, meio que no susto, que se formou a “geringonça”, que é como ficou conhecida aquela costura entre PS, CDU e BE para assumir o poder executivo e conseguir, surpreendentemente, governar por quatro anos.

Surpreendentemente porque nunca na história recente desse, ou melhor, daquele país o Partido Socialista e o Partido Comunista Português – e, mais recentemente, o Bloco de Esquerda – foram dados a se entenderem.

Muitíssimo ao contrário, o que leva a outra situação curiosa acerca da “reeleição” do PS neste domingo, em Portugal: formada “no susto” quatro anos atrás, na esteira de uma derrota eleitoral, a “geringonça” nunca correu tanto risco de explodir quanto agora mesmo, na esteira da esmagadora vitória das esquerdas em Portugal, com PS, CDU e BE conquistando nada menos que 137 cadeiras no Parlamento, 21 a mais do que as 116 necessárias para governar com maioria absoluta.

É logo agora, tendo à mão esta esmagadora vitória nas urnas e o prestígio de um governo bem-sucedido na tarefa de fazer Portugal superar uma profunda crise econômica sem impingir draconianos sacrifícios à sua população, é logo agora, dizíamos, que as velhas rivalidades no seio do campo progressista português afloram a ponto de pôr a “geringonça” a perder.

O PS pareceu confiar demais num cenário em que poderia, após as eleições, pensar em prescindir dos comunistas e do Bloco. Pesquisas indicavam que o partido poderia conseguir até 114 cadeiras no Parlamento, faltando apenas duas para formar maioria absoluta, o que poderia ser facilmente suprido com a atração de um partido menor, um aliado menos “problemático”, e, sobretudo, que não oferecesse resistência à tendência mais centrista do PS e de António Costa. O partido aventado, antes da votação, era o PAN – Pessoas, Animais e Natureza.

Ocorre que, apurados os votos, as 106 cadeiras do PS na Assembleia da República mais as 4 do PAN, somadas, não chegam às necessárias 116 para governar. A rigor, mesmo se o PS conseguisse atrair todos os outros partidos que conquistaram representação no Parlamento (fora a CDU, o Bloco e, claro, o PSD e o CDS-PP), nem assim conseguiria maioria absoluta.

António Costa, ontem, na sequência da confirmação dos resultados eleitorais em Portugal, apressou-se em dizer que os portugueses gostaram da “geringonça” e querem sua continuidade, mas avisou: “com o PS mais forte”.

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2 Opiniões

  1. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Viva o socialismo! Portugal, Argentina, quem sabe Israel e as demais nações que estão rejeitando este modelo neoliberal de governar o mundo.

    China comemora os 70 anos de revolução comunista que transformou um território tribal e sem destaque na maior potência militar e econômica do mundo. O caminho é esse. Não há outro caminho para libertação da humanidade a não ser o “socialismo”.

    ASSIM O BOZO VAI FICANDO CADA VEZ MAIS ISOLADO ATÉ SER DERROTADO POR COMPLETAMENTE.

  2. Célia disse:

    Coitado dos portugueses e Argentinos mas um país indo para a escravidão dos seus povos! Rússia, China, Coreia do norte, Cuba, Venezuela devem estar felizes!

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