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Ar-condicionado de carros estimulam o efeito estufa

Um debate sobre o ar-condicionado dos carros está intimamente relacionado às leis de mudança climática

Ar-condicionado de carros estimulam o efeito estufa
Em 2006 a UE reconheceu que o fluído usado em aparelhos de ar-condicionado era um potente gás causador do efeito estufa (Reprodução/Internet)

Duas substâncias refrigerantes usadas em sistemas de ar-condicionado de carros ocupam o lugar central de uma rusga industrial e ambiental entre o governo francês e a Daimler, a montadora alemã que fabrica carros Mercedes.

Em 2006 a UE reconheceu que o fluído usado em aparelhos de ar-condicionado era um potente gás causador do efeito estufa. O R134a, o composto usado com mais frequência, tem um efeito cerca de 1.400 mais forte que o dióxido de carbono. De modo que a UE aprovou uma lei que estipula que os arrefecedores usados em modelos de automóveis fabricados após 2011 não devem ter um “potencial de aquecimento global” maior que 150. A Honeywell e a DuPont, duas fabricantes de compostos químicos, inventaram o R1234yf, o qual atendia aos requisitos da lei. A SAE International, um órgão de engenheiros automotivos, considerou a substância segura.

Mas em setembro a Daimler anunciou que em seus próprios testes a nova substância pegou fogo. Novos testes da SAE constataram que este risco é “excepcionalmente remoto”, e considerou os testes da Daimler “irrealistas”. O órgão fiscalizador alemão que aprova componentes de carros fez os seus próprios testes, e chegou à confusa conclusão de que o R1234yf “tendia” a ser mais perigoso que outros arrefecedores, mas que não oferecia nenhum risco claro. O órgão se recusou a fazer um recall do novo arrefecedor. Ambos os lados se consideram vencedores. A Daimler continuou a equipar os seus carros com a substância mais antiga. Em junho a França elevou o tom ao proibir o licenciamento de novos modelos da Mercedes na França. A Daimler entrou na justiça na França e em 27 de agosto conquistou uma vitória temporária do Conseil d’Etat, o tribunal administrativo de nível mais alto do país, o que permitiu à Mercedes voltar a vender os seus carros.

Essa contenda não tem a ver apenas com questões científicas. Trata-se de uma disputa à moda antiga entre a França e a Alemanha, disfarçada com os modernos trajes da proteção climática.

Fontes:
The Economist-A heated row over coolants

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