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RELATÓRIO SIGILOSO

O que ainda não se sabe sobre o 11 de Setembro

Relatório mantido em sigilo há 14 anos pelo governo americano aumenta a suspeita de envolvimento do governo da Arábia Saudita e de cidadãos sauditas nos ataques

O que ainda não se sabe sobre o 11 de Setembro
Dos 19 terroristas que sequestraram os aviões usados nos ataques, 15 eram sauditas (Foto: Wikipedia)

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Quatorze anos após ser concluído, o relatório feito pelo Congresso americano sobre os ataques de 11 de setembro ainda não foi divulgado. O documento, de 28 páginas, segue sob sigilo, aumentando a suspeita de que ele contém dados sobre o envolvimento do governo da Arábia Saudita e de cidadãos sauditas nos ataques.

O ex-presidente americano George W. Bush decretou sigilo sobre o documento em 2002. Em 2014, pressionado por familiares das vítimas dos atentados, Barack Obama pediu para que as autoridades de inteligência do governo trabalhassem para retirar o sigilo do documento.

Porém, o processo segue em ritmo lento. A sociedade americana ainda não sabe por que 15 dos 19 terroristas que sequestraram os aviões usados nos ataques eram cidadãos sauditas. Também não se sabe até que ponto isso indica o apoio de sauditas influentes, incluindo membros do poderoso setor religioso do país, nos ataques.

Há tempos, o governo saudita vem negando envolvimento do país nos ataques, afirmação que é respaldada pela comissão bipartidária do Congresso americano criada para investigar os atentados. A comissão afirma “não haver nenhuma evidência da participação do governo saudita nem de seus membros” nos atentados.

No entanto, o Conselheiro de Segurança Nacional do governo Obama, Ben Rhodes, afirmou esta semana que embora não faça parte da política saudita apoiar a Al Qaeda, “há um grande número de sauditas abastados que contribuem com doações, às vezes diretamente, para grupos extremistas, que acabam se tornando uma forma de lavagem de dinheiro de tais grupos”.

Os esforços pela divulgação dos documentos fazem parte do objetivo dos familiares das vítimas que pretendem processar a família real saudita, bancos e instituições de caridade sauditas que tenham qualquer envolvimento nos ataques. Porém, esse objetivo tem sido frustrado por uma lei aprovada em 2005 pelo Congresso americano que torna países estrangeiros imunes a processo particulares.

Senadores democratas apoiam uma emenda para excluir dessa lei países que comprovadamente tenham responsabilidade em ataques terroristas. No entanto, essa medida ainda vista com cautela pelo governo Obama, pois abre margem para que os Estados Unidos também sejam processados por cidadãos de outros países. Senadores americanos trabalham para solucionar a questão.

A polêmica em torno do relatório ocorre em um momento em que a relação entre Estados Unidos e Arábia Saudita está abalada por conta da aproximação de Washington com o Irã e a desaprovação americana ao wahhabismo, forma radical e ultraconservadora de Islã que inspira grupos como Al Qaeda e Estado Islâmico.

Fontes:
The New York Times-Unfinished Business From 9/11

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