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Terrorismo de Estado

Arábia Saudita: onde discordar é crime

Infrações vagas, tais como 'desestabilizar a sociedade' e 'injuriar a reputação da nação' contam hoje em dia como atos de terrorismo

Arábia Saudita: onde discordar é crime
Manifestantes pedem a libertação de Raif Badawi, que foi condenado à morte (Reprodução/Internet)

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Em um momento em que a vida está ficando um pouco mais fácil para as mulheres, outra parte da sociedade saudita está sentindo que ela está ficando mais difícil. O reino nunca tolerou expressões públicas de discordância, mas arrochou ainda mais os seus parâmetros recentemente.

Considere-se o caso de Raif Badawi, um ativista da internet de 32 anos. Em 2008 ele fundou com um parceiro um site como uma plataforma para o debate aberto sobre a religião. Proibido de viajar em 2009, após criticar a doutrina wahabista oficial, ele está na prisão desde 2012 graças a uma lei que proíbe a “produção, preparação, circulação ou armazenamento de qualquer conteúdo que subverta a ordem pública, os valor religiosos, a decência pública ou a privacidade”.

Em 7 de maio, ele foi condenado a outros dez anos na cadeia, além de 1.000 chicotadas. Talvez ele tenha tido sorte: o promotor público, acusando Badawi de apostasia, pedia a pena de morte. Embora ele possa recorrer, Badawai precisa encontrar um novo advogado. O seu atual, Waleed Abulkhair, um dos poucos e corajosos que se especializam em direitos humanos, está preso.

Esses dois casos estão entre uma série de prisões e acusações a defensores de direitos humanos ou de algum tipo de reforma e a vários críticos. Uma nova lei antiterror aprovada em fevereiro permite a detenção arbitrária por longos períodos. Infrações vagas, tais como “desestabilizar a sociedade” e “injuriar a reputação da nação” contam hoje em dia como atos de terrorismo. Assim como, de acordo com um decreto de governo recente, coisas tais como “disseminação do pensamento ateísta” ou “contato com qualquer grupo hostil ao reino”.

Fontes:
The Economist-An even longer way to go

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