Início » Internacional » Armas disponíveis mais facilmente para a polícia chinesa
Policiais com arma de fogo

Armas disponíveis mais facilmente para a polícia chinesa

O governo prontamente decidiu que deve fazer com que armas se tornem mais facilmente disponíveis para a polícia e agiu rapidamente para fazê-lo

Armas disponíveis mais facilmente para a polícia chinesa
Alguns cidadãos se preocupam com o uso irresponsável de armas de fogo por parte da polícia (Reprodução/Imaginechina)

Quando cinco agressores armados com facas longas começaram a matar passantes em uma estação de trem na cidade chinesa de Kunming, no sudoeste do país, em 1º de março, os primeiros policiais a responder o chamado estavam mal equipados para reagir. A maioria não portava armas, como agentes comuns tipicamente não o fazem.  O que portava rapidamente ficou sem munição. Alguns policiais usaram seus cassetetes, enquanto outros recorreram, bravamente, mas inutilmente, a extintores de incêndio que encontraram na cena do crime. Uma unidade especialmente treinada de policiais armados chegou pouco mais de 20 minutos depois, e alvejou quatro dos agressores, que morreram.

O governo prontamente decidiu que deve fazer com que armas se tornem mais facilmente disponíveis para a polícia e agiu rapidamente para fazê-lo; alguns críticos dizem que muito rapidamente e muito precipitadamente. O aumento da utilização de armas para policial de baixo escalão acirra a perspectiva de abusos em um sistema que não tem responsabilidade pública por má conduta policial contra os cidadãos.

Também aumentou o risco de erros por parte de agentes mal treinados que não estão familiarizados com as armas. Nos últimos meses, a mídia chinesa relatou pelo menos duas mortes em tiroteios que envolviam policiais nos quais testemunhas locais afirmaram que houve uso de força letal injustificada. Em maio, em Zhengzhou, capital da província de Henan, a polícia disparou acidentalmente no chão em uma palestra sobre segurança pessoal em um jardim de infância. Uma criança e quatro pais ficaram feridos.

A China proíbe a posse de armas para civis, abrindo apenas raras exceções. O governo tem igualmente resistido há muito de equipar a polícia com armas de fogo. O processo de obtenção de porte de arma muitas vezes era tão oneroso que poucos policiais se preocupavam em tentar. Desde que o exército foi chamado para atirar em civis que protestavam em Pequim, em 1989, a China reforçou sua força policial paramilitar, Polícia Popular Armada (PAP), a fim de lidar com a agitação. Mas o PAP não lida com crimes comuns e é gerido separadamente de outras forças policiais.

Fan Xin, especialista americano baseado em Pequim sobre  armas de fogo da polícia que trabalhou como policial em Los Angeles entre 2000 e 2006, diz que a relutância do governo em armar a polícia se devia em parte ao receio de que as armas fossem mal utilizadas. Mas isso fez com que o treinamento daqueles que as utilizavam  para treinar aqueles que as utilizavam.

Fan descreve um sistema “antiquado” em que a polícia é avaliada pela precisão em atirar ao alvo a partir de uma posição estável sobre um joelho,  em vez de considerar a velocidade e juízo em condições mais realistas. Ele também observa que muitos policiais são treinados para usar armas semiautomáticas, mas, em seguida, passam a assumir a função com revólveres.

Algumas unidades especiais da polícia nas grandes cidades já estariam mais bem treinadas que os oficiais de cidades pequenas. A recente expansão dessas unidades tem sido rápida e marcante. A cidade de Xangai já implantou 125 unidades móveis de policiais armados de elite ao redor da cidade desde maio, cada um carregando pelo menos duas armas (a mídia chinesa, muitas vezes os descrevem como SWAT, ou Equipe de Armas e Táticas Especiais). Quinze grupos de dez oficiais de cada — todos em vans azuis da Ford — patrulham uma zona turística perto do rio Huangpu. Uma delas frequentemente estaciona no Bund, famosa zona ribeirinha de Xangai, perto de pessoas tirando fotografias de casamento. Outra muitas vezes estaciona perto da Praça do Povo; durante um recente engarrafamento o motorista e parte da podiam ser vistos fumando cigarros. Se um terrorista atacar em seu plantão, eles estão autorizados a atirar no ato.

Alguns cidadãos se preocupam com o uso irresponsável de armas de fogo por parte da polícia, mas muitos reconhecem a necessidade de uma proteção maior e mais visível. O ataque em Kunming, em março, parecia ser obra de extremistas uigures, minoria étnica de maioria muçulmana da região ocidental de Xinjiang. O evento ficou marcado na consciência do país. A mídia estatal se refere ao episódio como a versão dos ataques 11 de setembro contra os Estados Unidos da China. Xi Jinping, o presidente, ecoava George W. Bush, presidente dos Estados Unidos na época, dizendo que a China estaria realizando uma “guerra popular contra o terror”.

Policiais armados tornaram-se uma característica desta guerra. Em uma cidade fronteiriça a Xinjiang, em julho, a polícia atirou e matou pelo menos 59 uigures em um conflito que a mídia estatal afirmou ter sido iniciado por um grupo de moradores que atacaram escritórios do governo, matando 37. Grupos uigures no exterior alegam que o número real de mortos foi muito maior .

Os policiais que abriram fogo não são passíveis de enfrentar nenhum inquérito minucioso por colegas da polícia, muito menos qualquer tipo de inquérito público. A polícia e os dados judiciais são em grande parte mantidos em segredo, tornando impossível rastrear mortes ou para determinar se o uso de força letal foi justificada. Fan, o especialista em armas de fogo, diz que apesar da falta de fiscalização a polícia ainda deve portar armas — eles deveriam apenas ser mais bem treinados. “Abuso de poder entre a polícia existe com ou sem armas”, diz ele.

Fontes:
The Economist-Weaponised

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *