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Estado Islâmico

Arqueólogo pode ter sido assassinado por proteger tesouros de Palmyra

Khaled Asaad pode ter sido decapitado pelo Isis por se recusar a entregar a localização de tesouros arqueológicos da cidade

Arqueólogo pode ter sido assassinado por proteger tesouros de Palmyra
O arqueólogo passou anos estudando arte na cidade de Palmyra, e se recusou a entregar a localização de alguns artefatos ainda enterrados (Foto: Wikipedia)

O arqueólogo Khaled Asaad, de 81 anos, via a semelhança entre a cultura da Arábia Saudita e as de muitos povos que haviam habitado Palmyra, a cidade arqueológica de 2000 anos que ele estudava há mais de meio século.

Um mês antes de o Estado Islâmico (Isis) entrar na cidade, em maio, o arqueólogo descreveu em uma página no Facebook os rituais de primavera que aconteciam na cidade na época Greco-romana. “Esses rituais combinam muito com os rituais pré-islâmicos”, ele escreveu.

Outros não tinham a mente tão aberta quanto Asaad. Depois que os jihadistas entraram em Palmyra, eles capturaram o arqueólogo. Em 18 de agosto o Isis pendurou seu corpo decapitado, com sua cabeça e seus óculos a seus pés, em frente a um pequeno museu onde ele havia passado boa parte de sua vida escrevendo teses ou trabalhando com equipes alemãs e francesas.

Os motivos de sua morte, de acordo com a explicação rabiscada em um bilhete por seus assassinos e deixada ao lado de seu corpo, foram a participação de conferências “profanas”, visitas ao Irã e a comunicação com generais do regime da Síria.

Khaled trabalhou por anos com o departamento de antiguidades do governo. Alguns dizem que ele era um aliado leal do presidente da Síria, Bashar Assad. Mas parece muito provável que ele tenha morrido porque se recusou a entregar a localização de artefatos preciosos que ainda estavam enterrados em tumbas não escavadas, apesar de ter sido torturado. Palmyra abriga templos usados para adorar divindades datadas antes da chegada do cristianismo e, mais tarde, do islamismo.

Embora os jihadistas do Isis tenham destruído faixas de Hatra e Nimrud, cidades assírias antigas no Iraque, até agora só destruíram uma estátua em Palmyra: um leão representando a deusa Allat que ficava na entrada do museu. Apesar da aversão do grupo a antiguidades – o argumento é que estátuas e imagens encorajam idolatria – iconoclastia pode não ser o seu principal objetivo em Palmyra. Há sinais de que acham antiguidades mais valiosas quando vendidas do que quando são destruídas em frente a câmeras para propósitos publicitários. Vendidas a contrabandistas, provavelmente ajudam os radicais a encherem os seus cofres, que sofreram o impacto do bombardeio a instalações petrolíferas sob seu controle.

Fontes:
The Economist - Nothing is sacred

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