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TANGO DA INCERTEZA

As agruras econômicas da Argentina

Grandes déficits, inflação de dois dígitos, juros em 40% ao ano. Os problemas da Argentina são graves

As agruras econômicas da Argentina
Esta semana, o governo Macri pediu um empréstimo preventivo ao FMI (Foto: quepasasalta)

Enormes déficits, inflação persistente, desvalorização cambial, juros de 40% ao ano e reservas em queda. A Argentina parece estar atravessando uma típica crise de economia emergente, que nesta semana culminou em um pedido de empréstimo preventivo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) – uma instituição que teme a Argentina da mesma forma que é temida pelo país.

A Argentina não está repetindo seu conhecido histórico de crises. O país tem hoje um governo reformista com grande intenção de fazer as coisas certas, em vez de populistas que arruinaram seu passado recente. Mas seus problemas são graves e reais e muitos se perguntam se eles vão se alastrar por outras economias emergentes. Muitas economias compartilham uma ou duas das agruras argentinas. Felizmente, poucas compartilham todas.

A taxa de inflação argentina de 15% parece ser de um mundo perdido. Somente Egito, Nigéria e Turquia têm taxas acima de dois dígitos (isso levando em conta economias notáveis; a Venezuela é outra história).

Em muitas economias emergentes, incluindo Brasil, Egito e Índia, as contas do governo são piores que a da Argentina. O déficit fiscal do Brasil para este ano, por exemplo, é previsto em 8%, segundo o FMI, percentual acima dos 5,5% projetados para a Argentina. No entanto, o setor privado do Brasil consegue viver com isso. Por isso, o déficit fiscal brasileiro não se traduz em déficit em transações correntes.

Além disso, embora muitas economias emergentes tenham grandes déficits, elas não compartilham a necessidade argentina de tomar empréstimos em moedas estrangeiras. Quase 64% da dívida argentina, somando-se a do governo e a do setor privado, são em dólar ou outra moeda. Dentre as grandes economias emergentes, somente a Turquia rivaliza com a Argentina, com um percentual de 56%.

A discrepância entre a Argentina e as demais economias emergentes não passa despercebida. Em 2009, a empresa provedora de índices financeiros Morgan Stanley Capital International (MSCI) classificou o país como uma economia de fronteira.

Fontes:
The Economist-Will Argentina’s woes spread?

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