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Guerra ao Terror

As angústias finais de Osama bin Laden

Documentos recuperados do complexo de Abbottabad mostram que líder da Al Qaeda havia perdido completamente o controle sobre a rede terrorista

As angústias finais de Osama bin Laden
Documentos foram traduzidos e divulgados pelo Centro de Combate ao Terrorismo (AFP)

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Os documentos apreendidos no complexo de Osama bin Laden em Abbottabad há um ano, que foram divulgados no dia 3 de maio são ao mesmo tempo fascinantes e nada surpreendentes. O quadro que eles pintam é consistente com relatos de fontes de inteligência, que mostram um homem profundamente frustrado que tinha visto a maioria de seus colegas mais próximos mortos, que estava confuso sem saber como responder à Primavera Árabe, que tinha pouco controle sobre as “franquias” da Al Qaeda no Iêmen e na região do Magreb e cuja conspiração contra alvos ocidentais tornou-se quase que inteiramente separada da realidade da capacidade da fragmentada rede terrorista para atuar.

No entanto, é importante manter a cautela. Os 17 documentos traduzidos e divulgados com um comentário de especialistas do Centro de Combate ao Terrorismo, situado na academia militar de West Point, são apenas uma pequena fração dos muitos milhares de arquivos de computador que o ataque de soldados norte-americanos trouxe. Descrito por espiões ocidentais como um “tesouro”, a grande maioria continuará a ser confidencial por muito tempo, deixando agentes da Al Qaeda em dúvida sobre o quanto seus inimigos sabem sobre exatamente onde eles estão, o que estão falando, e o que eles estão fazendo. Poucas coisas são mais destrutivas à eficácia de células terroristas do que a paranoia galopante. Um número grande de combatentes da Al Qaeda morreu nas mãos de seus próprios “colegas” que suspeitaram de traição.

O fato de nenhum dos documentos divulgados revelar nada sobre os contatos de Bin Laden com qualquer pessoa de status oficial no Paquistão também é uma indicação de cuidado com as informações. É praticamente inconcebível que sua presença em Abbottabad por seis anos não tenha sido oficialmente sancionada em algum lugar dentro do exército ou do serviço de inteligência. Além disso, a publicação dos documentos tem um propósito claro de propaganda. É parte de uma tentativa brilhantemente executada pelos Estados Unidos para retratar a Al Qaeda como uma organização em declínio senil. A publicação também serve como mais um lembrete das credenciais de segurança de Barack Obama (e vem logo após sua aparição presidencial nesta semana na base aérea de Baghram, no Afeganistão), enquanto prepara o terreno para sua campanha de reeleição.

Talvez a revelação mais interessante seja o grau em que bin Laden se revoltou com a matança indiscriminada de muçulmanos por grupos explorando o nome da Al Qaeda ou associando-se à rede. Sua ira sobre os excessos brutais da Al Qaeda no Iraque, sua súplica junto ao Talibã do Paquistão para coibir suas atividades, e suas instruções para a Al Qaeda na Península Arábica para que deixassem de lutar contra as forças de segurança iemenitas e voltassem sua atenção para o “inimigo distante” ( o Ocidente e, sobretudo, os Estados Unidos) são indícios de que ele estava muito consciente de ter desencadeado um mutante mortal, que era incapaz de controlar. Aparentemente, pouco antes de morrer, ele estava até mesmo cogitando uma reestruturação da Al Qaeda: outro plano que não deu em nada.

Fontes:
The Economist - Rebranding al-Qaeda

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1 Opinião

  1. henrique eduardo disse:

    isso éuma prova de que nunca vale a pena o uso da violencia,em toda a História, sempre foi assim, alguns do grupo lucram outros iludidos perdem, e a maior parte dos inocentes morrem, é isso o que dá,Exemplos maravilhosos de PAZ CRISTO,Gandi, Madre Tereza de Calcuta para chegar aos seus objetivos usaram a não violencia.

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