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ELEIÇÕES ALEMÃS

As conflituosas coalizões políticas da Alemanha

A chanceler alemã e o primeiro-ministro da Baviera preferem não compartilhar o mesmo espaço político

As conflituosas coalizões políticas da Alemanha
Esse conflito interno é o principal motivo de Angela Merkel não ter ainda declarado se concorrerá ao quarto mandato (Foto: Wikimedia)

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A próxima eleição para o Bundestag será realizada em menos de um ano, mas como a Alemanha felizmente não tem o sistema interminável de eleições primárias dos Estados Unidos, a campanha dos candidatos só começou agora, com a reunião em 4 de novembro do partido de centro-direita da Baviera, a União Social Cristã (CSU). O partido, liderado pelo primeiro-ministro da Baviera, Horst Seehofer, espera obter o apoio dos conservadores com um discurso duro contra a imigração. Mas um personagem importante no cenário político alemão estava ausente. Pela primeira vez desde o ano 2000, o CSU não convidou Angela Merkel, a líder do partido União Democrata Cristã (CDU) e chanceler da Alemanha para participar da reunião.

A aliança de centro-direita CDU-CSU apoia a chanceler Merkel nas eleições para o Bundestag. Mas desde setembro de 2015, quando Merkel abriu as fronteiras da Alemanha para acolher os refugiados, Seehofer tornou-se seu crítico mais incisivo. Na convenção do CSU em novembro de 2015, ele fez um discurso de quase 15 minutos, no qual insistiu que o governo deveria impor um limite para o número de refugiados que o país poderia abrigar, dirigindo-se à chanceler pelo pronome informal Du.

Desde então, o número de refugiados diminuiu e Angela Merkel adotou medidas mais rígidas para conter o fluxo migratório. Porém rejeitou o pedido de Seehofer de fixar um limite por julgá-lo inconstitucional. Ele queria que o limite fosse no máximo de 200 mil por ano, um número já ultrapassado nos primeiros nove meses de 2016.

Esse conflito interno é o principal motivo de Angela Merkel não ter ainda declarado se concorrerá ao quarto mandato. É provável que faça o anúncio na convenção do CDU em dezembro. Como previsível, o primeiro-ministro Horst Seehofer não foi convidado para participar da convenção.

Em teoria o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, beneficia-se com essa disputa. Embora seja o terceiro partido da “grande coalizão” que governa a Alemanha, o SPD será o principal rival do CDU-CSU durante a campanha. Porém o SPD é um partido desorganizado e no momento não se sabe ainda quem seria o candidato a chanceler.

Um nome cotado é o de Sigmar Gabriel, o líder do partido, além de vice-chanceler e ministro da Economia e Tecnologia do gabinete Merkel. Corpulento e jovial, Gabriel pode ser uma aposta errada. Há pouco tempo, fez um gesto obsceno em resposta às provocações de manifestantes de extrema direita. A cena foi gravada em vídeo e divulgada nas redes sociais. Muitos membros do SPD acham que ele tem uma personalidade errática e preferem indicar Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu. Mas talvez Schulz prefira ficar em Estrasburgo.

No confronto direto, Angela Merkel venceria os dois candidatos. Segundo as pesquisas, Merkel obteria 62% dos votos contra 25% de Gabriel. Na disputa com Schulz, ela venceria com uma margem menor de 48% contra 37%. Mas os alemães não escolhem o chanceler com o voto direto, uma tarefa que cabe à maioria dos parlamentares do Bundestag. Assim, tudo se resume a uma coalizão política.

Fontes:
The Economist-Best frenemies

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