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Bater em crianças

As consequências do castigo físico em crianças

Às vezes funciona quando os pais querem que um filho pare de puxar o cabelo da irmã, por exemplo. Mas só em raras situações específicas

As consequências do castigo físico em crianças
81% dos pais americanos acham que bater às vezes nos filhos é necessário (Reprodução/Getty Images)

George Stewart, um professor de uma escola na Jamaica, tinha o hábito de esperar na porta do colégio com uma vara na mão pronto para castigar os alunos atrasados. Seus pais também o açoitavam. Atualmente, ele vive no Bronx e tem horror de pensar em bater nos filhos. “Não acredito que funcione na educação das crianças”, disse. “Ao contrário, instila nelas o impulso de crueldade, que transmitem de geração a geração.”

Uma ampla evidência apoia sua opinião, afirmam Richard Reeves e Emily Cuddy do Brookings Institution, um grupo de pesquisa multidisciplinar. Quase trinta estudos de diversos países mostram que crianças que costumam ser espancadas com frequência ficam mais agressivas, tanto na infância quanto na idade adulta. Além disso, têm mais tendência à depressão ou de se viciarem em drogas.

Às vezes funciona quando os pais querem que um filho pare de puxar o cabelo da irmã, por exemplo. Mas só em raras situações específicas. Uma pesquisa realizada em vinte cidades dos Estados Unidos, publicada pela American Academy of Pediatrics em 2013, revelou que crianças pequenas que viviam em ambientes sem violência infantil tinham um desenvolvimento cognitivo melhor, do que crianças que sofriam maus-tratos. Outros estudos mostraram que crianças que estudavam em colégios, que puniam fisicamente os alunos, tinham um desempenho escolar pior.

Apesar desses estudos e da opinião em geral, 81% dos pais americanos acham que bater às vezes nos filhos é necessário, ao contrário de muitos países desenvolvidos, dos quais vinte proibiram que as crianças sofram agressão física, mesmo por parte dos pais.

Quando Adrian Peterson, um astro do futebol do Minnesota Vikings, foi preso em setembro acusado de ter batido no filho com uma vara, diversos comentaristas negros protestaram dizendo que as surras de um pai amoroso eram um rito de passagem fundamental na vida de uma criança. Mas experiências como a de George Stewart mostram como a agressão física é prejudicial para o desenvolvimento físico e psicológico de uma criança.

Fontes:
The Economist-Spare the rod

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